Tão simples e perfeita é a nossa amizade. Caraca, eu estava tão ansiosa para conhecer você.
Estava na rodoviária da sua cidade, o estômago embrulhado, a cara meio amarela de nervoso. Pelo menos o cabelo estava penteado. Ao meu lado, é claro, a semente de um crisantemo dourado, que eu iria te dar.
Geralmente, você sempre me compara ou diz que me assemelho a flores amarelas. Eu não percebia meu amor pela cor do Sol antes de te conhecer. Depois, passei a amar, a te amar. Então, vi você de longe: corpo grande, pesado. Já imaginava seu abraço apertado. Você não era do tipo "sentimental e adocicado".
Era doce, sim. Mas do seu jeito.
— E aí! — deixei transparecer minha empolgação. Não pude evitar e quase corri na sua direção.
— Oi — você disse só isso. Quem visse pensaria: "Credo, que garoto frio!"
Mas eu lia seu sorriso pequeno, seu olhar de contentamento. Estava feliz em me ver.
— Eu disse: quando você fizesse dezoito, eu iria até você. — Sorri levemente. — Sua mãe já não pode mais te impedir de me ver ou de me conhecer de verdade.
— Não. E, mesmo se pudesse, eu te veria do mesmo jeito. Daria um jeito.
— Você sempre dá.
Saímos da rodoviária. Queria lhe dar a flor de ouro que representava tudo que sentia.
Não agora. Seria em outro lugar.
Quando chegamos a uma praça, o vento entre as árvores intensificava o clima gelado do Sul. Droga! Eu deveria ter trazido uma blusa. Falta de aviso dele não foi.
— Como foi a viagem?
Ignorei a pergunta e ofereci a flor. Na verdade, a semente.
— Pra mim? — Ele franziu a sobrancelha e pegou com cuidado. — Sabe que tudo que eu planto morre. — Ele riu.
— Eu sei. — Sorri. — Me diz, você sabe o que significa um crisantemo? Ou até mesmo a cor amarela?
— Qual? — Ele perguntou. Sempre era interessado em tudo que eu dizia ou fazia. Parecia quase me idolatrar. Eu me sentia especial ao lado dele, com ele.
— Bem, você sempre me comparou a coisas amarelas. Sabia que eu amava girassóis, abelhas, o Sol...
— Sim, e?
— Amarelo significa amizade pura, carinho, amor... tudo isso de forma sutil e delicada — expliquei metodicamente, devagar. — Isso você tem demonstrado por mim desde que nos conhecemos. Por isso, queria te dar essas sementes, para que, toda vez que olhar para essa cor, se lembre do que sente por mim e do que eu sinto por você.
Ele sorriu sem jeito. Nunca soube lidar com meu afeto excessivo.
— E o crisantemo significa o quê?
— Bem, ele também tem um significado especial. Na cultura asiática, simboliza felicidade, simplicidade, sinceridade e perfeição.
— Certo — ele balançou a cabeça, entendendo.
— Você me trouxe a felicidade que faltava, a simplicidade de um sorriso ao ver qualquer coisa relacionada a você, a sinceridade que sempre demonstramos um ao outro, e a perfeição que foi te conhecer, mesmo que não tenha sido planejado.
Ele riu. Amava quando ria. Eu sabia que não ria de mim, ria e sorria para mim. Era diferente.
— Obrigado. — Ele acariciou meu cabelo com uma ternura simples e rápida. — Vou plantar e fazer de tudo para ela não morrer.
— Eu sei que vai. — Sorri para ele e o abracei.
Ele, como sempre, ficou estático por quase um minuto até retribuir, desengonçado.
Era a melhor pessoa que eu já tinha conhecido.
Caminhamos, passeamos. E, quando voltei anos depois, ele já tinha sua própria casa.
Quando olhei para seu pequenino jardim da frente, vi a flor que eu conhecia tão bem.
Estava bem enraizada. Havia várias, que brilhavam douradas sob a luz do belo deus Hélio.
Ele conseguiu mantê-la tão bela e feliz...
Quanto a nossa amizade.