Iniciava-se ali uma reação exotérmica.
De dentro para fora, queimava e borbulhava,
veias incendiando por baixo da carne aprazível.
Maçãs do rosto coravam, ofegavam,
abriam-se liberando o calor dentro de si,
mostrando os dentes retilíneos que se resguardavam.
Estes, mordendo sem dó o tecido suave;
doía, oh, que sentimento penoso o corpo sente.
Bate os cílios novamente, ignora a sensação ardente
do epitélio em chamas, de lábios tocando seus semelhantes.
Doíam os estalos, as batidas, as palavras;
ascendia o fogaréu dentro do peito; queimava.
Pupilas reviradas da dor crescente,
unhas cravando os lençóis brancos
manchados de carmesim.
No meio de tudo, o corpo sorria,
cantava a melodia tênue
entre
a dor e o deleite.