Querido, peço que não me odeie enquanto lê essa carta, muito menos fique aterrorizado com as sinceridades aqui contidas.
Fui hipócrita, muitas vezes menti ao dizer a verdade, algo que estava bem na cara, mas poucos enxergavam a luz da sinceridade.
Fui depressiva, chorava sozinha na cama praticamente todos os dias, escondendo a dor que ao menos sabia que tinha, mas mesmo assim me levantava ao amanhecer.
Fui perdida, mesmo sabendo onde me encontrava e morava, fazia questão de me perder, tanto em pensamentos quanto em sonhos.
Fui sonhadora, a realidade era simplesmente dura ao meu ver, então cismava viver nos sonhos. O que me custaria?
Fui amada, sabia que era, mesmo não merecendo. O amor era tão singelo que sabia que aos seus braços estava segura, até de mim mesma.
Fui infiel, pois toda fidelidade contida em mim se esvaziou quando não pensei duas vezes em tirar minha própria vida, mesmo prometendo que não o faria.
Fui guardada, nas memórias daqueles que um dia me amaram, me conheceram e tentaram impedir o que simplesmente era inevitável.
Sou grata, por tudo o que fez por mim. Viu na escuridão uma luz, viu no mal algo bom, viu no feio algo bonito, viu em mim minha própria alma. Você me completou.
Eu amei, o único e completo anjo que apareceu na minha vida. A exceção dos meus dias. Mas, mesmo amando, fiz o que fiz.
Fui egoísta, passei dias pedindo para que vissem outras pessoas, quando na verdade implorava para me verem.
Peço perdão, por tudo e por todos.
Descansem e sigam em frente, no final, essa carta era apenas para me reviver.