Vivemos o mal da atualidade,
Um mal que corrói por dentro
E faz menosprezada a pessoa.
Vivemos a solidão,
Sem tempo ou espaço,
Vivemos sem amor e compaixão,
Vive-se para concluir
A tarefa que lhe foi imposto,
Seja isto que você queira, ou não,
Vivemos para criar guerras
E ao fim destas,
Nos túmulos, dos já jazidos,
Dizemos: descanse em paz.
Lutamos para criar uma guerra,
Uma que cujo o fim não trará paz
Apenas ganancia e prosperidade
Aos ricos, enquanto o pobre,
O pobre jaz em seu barraco
Sem alimentação,
Sem viver, sobrevivendo em vão.
Vivemos o egoísmo extremo
Uma "sociedade" onde
Cada um sobrevive por si
Porquê denominamos ao outro
De concorrente, adversário,
Enquanto a humanidade cada vez mais solitária
Vive sem qualquer real razão,
Não se faz aquilo que se gosta,
Não se vive com quem se ama,
Sobrevive-se ao caos!
E ao que restar da lama, talvvez...
A vida foi-se perdendo
Entre máquinas e paredes,
Entre jornais e redes,
Que de tão socais que os são
Nos levam a exclusão,
Nos tiram a vida
E a exigem para si.
Alimentam-se de nossas fraquezas
Enquanto cá estamos
Com a alma arruinada,
O pensamento atrofiado,
A razão inutilizada
E o amor,
O amor, o que é isto mesmo?
Deste não se tem mais nada.