Social (real)idade
Giordano
Tipo: Lírico
Postado: 08/06/16 23:58
Editado: 09/06/16 00:12
Gênero(s): Poema
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min
Apreciadores: 12
Comentários: 5
Total de Visualizações: 1002
Usuários que Visualizaram: 17
Palavras: 216
Livre para todos os públicos
Capítulo Único Social (real)idade

Vivemos o mal da atualidade,

Um mal que corrói por dentro

E faz menosprezada a pessoa.

Vivemos a solidão,

Sem tempo ou espaço,

Vivemos sem amor e compaixão,

Vive-se para concluir

A tarefa que lhe foi imposto,

Seja isto que você queira, ou não,

Vivemos para criar guerras

E ao fim destas,

Nos túmulos, dos já jazidos,

Dizemos: descanse em paz.

Lutamos para criar uma guerra,

Uma que cujo o fim não trará paz

Apenas ganancia e prosperidade

Aos ricos, enquanto o pobre,

O pobre jaz em seu barraco

Sem alimentação,

Sem viver, sobrevivendo em vão.

Vivemos o egoísmo extremo

Uma "sociedade" onde

Cada um sobrevive por si

Porquê denominamos ao outro

De concorrente, adversário,

Enquanto a humanidade cada vez mais solitária

Vive sem qualquer real razão,

Não se faz aquilo que se gosta,

Não se vive com quem se ama,

Sobrevive-se ao caos!

E ao que restar da lama, talvvez...

A vida foi-se perdendo

Entre máquinas e paredes,

Entre jornais e redes,

Que de tão socais que os são

Nos levam a exclusão,

Nos tiram a vida

E a exigem para si.

Alimentam-se de nossas fraquezas

Enquanto cá estamos

Com a alma arruinada,

O pensamento atrofiado,

A razão inutilizada

E o amor,

O amor, o que é isto mesmo?

Deste não se tem mais nada.

❖❖❖
Apreciadores (12)
Comentários (5)
Comentário Favorito
Postado 30/06/16 16:24

É impressionante o quão grandioso, mortificante, realista e reflexivo este belíssimo poema cala na alma. O que não é de fato novidade, considerando o magistral autor que competentemente o compôs e gentilmente o disponibilizou para o nosso deleite e assombro.

Seu talento, maturidade e riqueza de pensamento o precedem e o enaltecem, Sr Giordano. Cada texto seu é uma garantia de qualidade e satisfação a nós, leitores. Muitíssimo obrigado por compartilhar esta obra excelsa e meus sinceros parabéns por sua criação absolutamente (ao meu modesto ver) perfeita!

Atenciosamente,

Um ser que sobrevive sem viver, Diablair.

Postado 30/06/16 16:51

Excelsas são suas palavras! Um baita de um comentarista, e não por menos, um escritor de mesmíssima qualidade.

Muito obrigado.

Postado 18/06/16 16:42

"O amor, o que é isto mesmo?

Deste não se tem mais nada."

É ali que tá o problema. Não existe mais o amor. Triste realidade. Podemos ser egoístas, mas se tivermos amor, seremos feliz na felicidade alheia. Podemos ter cada vez mais capital, mas se tivermos amor, a ninguém faltará.

Muito bom, Giordano. Texto impecável!

Postado 19/06/16 12:13

Opa, valeu Chico!

Realmente cara, o que sobra da vida se cada momento não te propociona um sentimento novo, algo único? Amor é ímpar, indivisível (exceto por ele mesmo) e o divisor comum de todos. Amor é o um.

Postado 23/06/16 09:41

Nossa

Esse texto tá tão...

Nossa cara!

Não tem palavras para expressar como tá incrível!

Parabéns!

Postado 23/06/16 11:55

Obrigado, Gabi! ^^

Postado 24/06/16 10:45

não agradeça

é apenas a verdade

Postado 25/06/16 11:07

Fantástico esse texto, um dos que mais gostei de todos que já li aqui.

Retratou o sentimento do Poeta contemporâneo ao mesmo tempo que traçou um retrato da sociedade atual, que prefere rotular e de certa maneira "industrializar" tudo, o amor, a essência, as pequenas coisas do dia a dia se perderem nesse vai e vem do mundo moderno. E são valores tão importantes ! Obrigado por compartilhar conosco uma poesia tão bela !

Postado 25/06/16 11:14

Obrigado, amigo. Fico muito felizque tenha gostado do texto!