Uma vez eu ia conversando com um amigo. Ele dirigia o carro em que íamos. Eu disse a ele:
- Eu comecei tarde.
E ele:
- Isto é poesia.
Eu não me surpreendi. Na família dele haviam poetas e poetisas. Quem tinha me contado foi a esposa dele.
Realmente eu pensei:
- Quem sabe estou conversando com um par.
Eu chamo de par a todos aqueles que escrevem. Claro, cada qual tem o seu jeito de escrever.
E não há ninguém melhor do que ninguém. E eu digo isso porque eu tive vontade de dizer. E não estou medindo nenhuma implicação sociológica. Digo como homem que já viveu e quer viver mais ainda.
As pessoas são o que são. E aqui estou dizendo isso. Mas tem uns que usam o que podem para aproveitar dos outros. Mas não era o caso.
Eu li rapidamente numa banca de revistas uma manchete:
"A hora dos povos."
Eu vivo a hora dos povos. Tivemos a globalização. Vivo a hora dos povos na minha cidade.
E sou mesmo é um homem do povo. Este conceito de homem do povo, não quer dizer muito. Porque a maioria corre de ser isto.
Mas eu prefiro ficar quieto na minha casa. E acredito em Deus.
E ali mesmo antes de chegarmos ao nosso destino, eu tirei do bolso um poema.
E ofereci ao meu amigo, o que dirigia o carro, para que ele lesse.
Ele leu e disse:
- Bonito, chega a me tocar.
Claro que fiquei satisfeito. E me propus a mim mesmo:
- Vou escrever mais.
E ele me disse:
- Chegamos, poeta.