Pela rua próxima à minha casa, ia ele. Era de fato um homem idoso. Um jovem passou por ele e disse-lhe:
- Ôi, vô!
Ele não respondeu. Eu, que vi a breve cena, pensei:
"No meu tempo nossos pais nos ensinavam a respeitar os idosos."
Tristemente pensei. Eu que estava na janela. Mas em seguida pensei também:
"Um simples Ôi, vô! não chega a ser um desrepeito. E "sei lá". O modo de empregar as palavras muda tanto.
Não pensei mais naquilo. Entrei e fechei a janela. A imagem do idoso evocou em mim a minha imagem. O caso é que eu tinha feito as minhas orações àquela hora, pedindo a Deus mais alguns anos de vida.
Então me reconfortei olhando o retrato de minha mãe morta há pouco tempo. Ela tinha noventa e um anos de idade. Estava muito doente.
Eu também já não estava em idade de ser considerado jovem.
Tinha tido minha juventude. Vivera-a muito agitadamente. Mas respeitando o mundo alheio. O que me dá o estar vivo.
Um acidente ou outro durante a existência eu sofri. Mas não que me desviasse do caminho de bom cidadão.
Vivia em minha casa solitariamente. E já estou acostumado.
E agora, eu finalizo este texto com uma confissão:
- Eu sou feliz.