Se entregou ao trabalho. Comprou o que precisava. E não precisava de muita coisa, não.
A gente entra no quarto dele, lá está ele. De um lado, seu computador. De outro a mesa de trabalho.
Encostada à parede a estante com os livros dele.
Nesse momento ele lê. Lê com calma, saboreando as palavras.
Para de ler. Lembra-se de sua tia. A que quis que ele fosse escritor.
E de tanto gostar dela, escreve.
Ele teve seus problemas. Enfrentou-os com coragem.
E quando pensaram que ele caiu. Lá está ele de pé.
Existe uma frase no seu círculo de amizades:
- Às vezes uma pessoa nos surpreende.
Realmente, ele estava quieto a escrever. Mandou o texto para um concurso. Foi premiado.
Disseram dele:
- Ele sempre nos prega surpresas.
E ele antes do prêmio esteve doente. Seu corpo reagiu bem ao tratamento.
E um veio lhe perguntar:
- O que vaí fazer agora?
Ele disse:
- Vou descansar um pouco disso tudo.
E ficou ele ali, em casa, à toa na vida. E se dizia:
- Eu sou um homem feliz.