Recebi os livros que pedi para este mês. Tenho com que me entreter. E mais, me instruir. Estas duas coisas hoje me são caras. Já passei pela faculdade, onde procurei ser um bom aluno.
Que saudades daquele tempo! Deixei lá uma menina, daquelas que depois a gente escreve um poema dizendo mil maravilhas dela. Só que os poemas que a ela dediquei ficaram todos guardados com ela. Não sinto falta desses poemas, foram mesmo escritos para ela.
Nem sei quantos anos que não a vejo. Mas ela passou pela minha vida. Depois dela eu não quis namorar mais nenhuma. E não me arrisco a dizer nada sobre ela. Sei porém que igual a ela, não existe neste planeta nenhuma.
E esta maneira de dizer que ela é inesquecível é coisa minha.
Eu talvez nem tenha merecido a atenção dela. Nem sei. O que sei é que ela partiu. Para outras emoções.
E esta é a maneira de amar da nossa época, na maioria dos casos que conheço é.
E digo: é uma pena.
As meninas estão lendo muita poesia. E ficam afiadas, e nos desafiam aos poetas.
Mas nós temos de viver. E eu vivo do mesmo jeito que sou. Sem maldade. E é sem maldade que escapei desses sofrimentos que o mundo oferece aos mais afoitos.
E quando me separei daquela menina, eu li uma bela frase:
"Quem passou pela vida e não sofreu, passou pela vida e não viveu."
E assim eu vou vivendo. Há tempos eu li um poeta e uma entrevista que ele deu. Lá dizia ele:
- Registro as coisas que me vão no coração.
E um dia me disseram que os poetas escrevem para vender. Eu logo pensei:
- Pobre individuo que me fala.
Explicando: pobre de espírito.