Ela chegou de viagem. Era minha irmã. E colocou a mala no quarto de hóspedes. Foi ver televisão. Era hora do telejornal.
O telejornal exibia imagens da violência que reina no meu país. Eu, pessoalmente, não gosto de ver.
E passados uns dias, eu teria que ir à uma consulta médica, na capital.
Ela me para na saída de casa e me diz:
- Você tem coragem?
Eu pergunto:
- Coragem de que?
- De ir à capital?
- Por que?
- Lá estão matando.
Ela me disse chorando. Eu fitei-a bem e deixei-a chorar ali. O carro que ia me levar já estava parado em frente à casa.
Entrei. Ajeitei-me no banco de passageiros e disse ao motorista:
- Pode ir, sigamos viagem.
E fiquei pensando na minha irmã chorona.
Dentro de duas horas já estava eu de volta. Entro em casa e vejo minha irmã vendo televisão.
Não disse nada a ela. Só pensei:
- O tanto de medo é que fez com que ela chorasse. Agora estava ali tão inocente.
Fui para o meu quarto. E lá veio ela. Deixei-a vir. Sabem o que ela queria?
Conversar. Eu mais que depressa disse:
- Ô minha irmã, todos virão saber. E papo encerrado.
Ela enrusbeceu, de raiva, e me deixou em paz.
È que ela é do tipo de pessoa que se o outro não conversar, vira inimigo. Mas como fala ela, fala demais.