Não há quem não sofra na face desta Terra. Mas tudo isto tem sua significância ou sua insignificância. Se a pessoa que sofre é de muita sensibilidade ela pode transferir o seu sofrer para uma área de atuação humana. Se ela é insensível à certas coisas, poderia muito bem tomar conhecimento de setores onde há seres humanos sofrendo. Mas sem dar uma de otário. Tomar conhecimento e ver se pode ajudar. Se não puder ajudar ele mesmo, ele pode se solidarizar e em conversas com amigos falar do sofrer. Às vezes ajuda.
Vou dar um exemplo que acontece até hoje na Literatura. Cito então o nome do poeta CRUZ E SOUZA. Ele era negro, mas era antes um ser humano, e viveu muitos anos antes de mim. O que significa que ainda ele não viu a possibilidade de escrever sobre preconceito. Mas entregou sua pena à defesa dos negros escravos.
Toda esta gente era gente que sofria. E podia ler os poemas de CRUZ E SOUZA. É assim que funciona a Literatura. E o grande CRUZ E SOUZA nos chegou a nosso tempo. E a pouco eu o lia. E não vou recitá-lo aqui que é para poder recomendá-lo a quem não o leu ainda. E foi sofrendo que ele escreveu. Mas não fala ele do seu sofrimento, fala do sofrimento alheio. Olha que belo exemplo.
E disso tudo tiro eu a frase: O SOFRIMENTO, não devemos remoer. Mas podemos transferí-lo para a área de contação de casos, a Literatura.