Tudo depende do que se quer contar. Prepara-se o papel e a caneta, senta-se à mesa, pensa um pouco. Então serà o meu escritor preferido. Ou mesmo a minha escritora predileta. Mas meus vínculos de afeto devo-os à minha família de sangue. Que são os seres que amo.
E eu até pouco tempo vivia com minha mãe. E uma empregada nos ajudava nos trabalhos da casa. Ela está comigo até hoje. É uma grande alma. Digo pensando em minha religião, a católilca.
E minha mãe adoeceu. Eu vi a doença evoluir. Como moramos numa cidade do interior, com poucos recursos, a mãe viajava sempre à capital. Para se consultar e se tratar.
Eram os últimos tempos dela. Já sabíamos. E aquilo nos machucava, a mim e a meus irmãos. Que eram os remanescentes da minha família de sangue.
Nosso pai tinha falecido muito cedo. Minha mãe, conforme prometera no altar no seu casamento, acompanhara meu pai e nos tomou sob sua responsabidade quando da morte dele. E nos criou e nos encaminhou.
E viemos ela, eu e um irmão para cá. E aqui eu vi morrer minha mãe. Ela morreu aos noventa e um anos de idade.
Deixou-nos um grande legado. A criação que ela nos deu. Moralmente ela era irrepreensível. Religiosamente, ela cumpriu os seus deveres, ia a missa aos domingos.
Eu cultivei a vida inteira o gosto pela leitura. E isso nesses nossos tempos não é luxo. Qualquer um lê muito. Ler virou até necessidade.
E agora eu vou levando a vida com o que a minha mãe deixou. E ela não foi uma gastadora, nem adquiriu muitos bens. Mas dá prá mim viver bem.
E no fim, só saudades. Saudades de minha mãe.