Aqui, neste quarto escuro e quieto, com o corpo estirado sobre a cama, penso no que aconteceu, ponderando sobre de quem foi a culpa ou responsabilidade pelo fim do que ao menos eu achei que fosse um grande amor. Me faço de forte, mas a dor é maior que eu e me arranca algumas lágrimas e suspiros. Lembranças vem e vão na minha cabeça enquanto a música que teimosamente insisto em chamar de nossa ulula em meus tímpanos. Meu coração, que parece ter sido acariciado por uma garrafa quebrada, se move pesado dentro do peito, acompanhando o ritmo da canção.
Já faz um tempo desde... Deus, isso é mesmo real?! Todas aquelas palavras, olhares, sorrisos, abraços, beijos, carícias, momentos e planos agora fazem parte do passado? Como assim, acabou? Quando foi que deixei ou deixamos tudo isso se perder? Por que tem que ser deste jeito tão triste, tão... Definitivo? Mas a verdade é essa, não é mesmo? Não vai ter volta. Na vida real, as coisas funcionam desse jeito. E de repente, os sentimentos se transformam, esmaecem e, com sorte, um dia morrem. O problema é que até este impensável estágio ser alcançado, preciso lidar com todas as recordações, que assombram sem aviso nem piedade e reabrem estas feridas mal-curadas.
Sim, todas estas lesões profundas, dolorosas e que por ora não sei se quero que de fato cicatrizem, pois isso vai significar que aceitei o que me é inaceitável neste instante. Como poderia? Será que você já o fez? Ou está como eu, vagando neste limbo de memórias? Será que encontraremos a melhor saída deste abismo em que despencamos? E depois? Haverá mesmo um depois... Sem você?
Sinceramente, não sei. Não sei de mais nada. A única certeza que possuo é a de que mesmo com todo o tormento, questionamento e sofrimento, ainda prefiro lhe ter por perto. Ao menos por hoje, neste quarto escuro, quieto e agora infelizmente solitário.
Ao menos por hoje.