A tua cara está suja com as cores do povo que nasceu para ser escravo. E enquanto os nervos baterem, insanos, no coração de um homem, a mulher dele adorna-se de jóias para afastar as marcas roxas do corpo.
A tua cara é da cor do carvão, onde os teus antepassados perderam a vida para hoje estares aqui. Olhando de lado o patrão que bate na esposa com a primeira coisa que encontra.
A tua cara é escura, suja e feia. Tens as manchas do negrume da fogueira e os olhos amarelos de quem já viu muito, sem ter alguma vez saído de casa. E enquanto espreitas de esgueira, a mulher jaz no chão da sala. Não te apercebes do teu próprio julgamento, porque mulher branca é igual a mulher preta, merece paulada quando o marido achar por bem.