- Onde você descansa o seu fardo? - pergunta a amiga. Ela é colega de escrita dele. E ele lhe diz:
- O meu fardo eu o descanso na escrita.
- O que você chama de fardo?
- O meu fardo são os meus sofrimentos.
- Por exemplo...
- Leia este texto.
E ela lê: José lá ia por sua estrada, depois do trabalho. Ele sentia falta era de uma companheira. E lá estava a moça mais bela daquele lugar. Ele a via sempre. Bela e atraente ela era. E a admiração era recíproca. Como havia esta atração mútua, os dois se enamoraram. E num átimo resolveram se casar. Claro, José teve que ir pedir a mão da donzela aos pais dela. E a levou ao altar. O padre os abençoou.
Em breve, o jovem casal se mudou para a casa que José construiu. Estando assim instalados, logo a moça se engravidou. E com o tempo nasceu o primeiro filho do casal. Era um bebê do sexo masculino. Que foi crescendo normalmente. Quando o menino já se encontrou na idade de trabalhar, José e sua esposa tiveram a segunda filha. E logo tudo se arrumou. O filho de José logo se viu arrumado na vida. E o pai disse: um fardo a menos. A filha ouviu-o falando assim e disse a ele: Pai, nós somos apenas fardo para o senhor? José se viu embaraçado. E a menina logo foi para o grande centro próximo. Lá aprendeu coisas inimagináveis. E um dia voltou. Como artista, num belo automóvel. O pai, José, chorou. Ela, a filha disse-lhe: Pai, não chore, eu tenho também um fardo sobre os ombros. E mostrou a José uma neta. E anunciou-lhe: eis sua neta. Deste modo José viu os seus fardos: um filho trabalhador e uma filha artista que compreendia a vida como ele.