Certa vez pensei em como seria te perder. Você sabe, crio caraminholas na minha cabeça do nada e elas crescem e viram problemas reais, mas, naquele dia, acho que talvez eu tenha pressentido um problema real se aproximando.
Fiquei em pânico, não sabia o que fazer. O sentimento de pensar em te perder já era sufocante o suficiente e eu não conseguia passar por ele. Portanto, quando eu te perdi de fato, sabia mais ou menos o que esperar.
A onda mais forte arrebenta na costa, mesmo com o aviso de sua força pelo som, ainda é mortal. Sinto como se as ondas da costa batessem em minhas costelas, em meu peito. Tudo dói, arde, e eu me sinto sucumbindo para dentro da maré. Nem sei como entrei no mar; talvez tentando te encontrar.
Mas não há como encontrar alguém que já se foi, eu sei disso. Na minha tentativa vã, ainda mandei mensagens para o seu número, que sequer apareceram como entregues; elas nunca vão ser. Jamais serão dos dois ticados, eles jamais ficarão azuis. Jamais aparecerá seu apelido fofo seguido por "digitando…" e eu jamais receberei sua resposta. Nunca mais ouvirei um áudio seu dando risada ou comentarei um status engraçado com aquela figurinha que só a gente conhece a história. Ainda sim, todas as noites que chego esgotado eu abro o aplicativo e encaro a tela, esperando por uma notificação que jamais virá. Ainda fico ansioso para receber suas mensagens, mesmo que você nunca mais possa as mandar.
E algo em mim me culpa tanto por isso. Algo em mim rasga meu peito feito fogo toda vez que penso em ti, em tuas mensagens que jamais receberei (mesmo que eu saiba o que você mandaria: sua figurinha favorita e aquele emoji de coração que tanto usava). É culpa. Culpa de não sei o que, também. Não é como se eu pudesse te salvar de algo. Mas ainda sim é culpa, culpa por não ter chegado a tempo.
Porque naquela noite eu fiz de tudo pra falar com você porque algo me dizia que seria a última vez, mas você foi dormir antes de ler minha mensagem de boa noite.