A noite do solstício de verão estava cada vez mais próxima, deixando as fadas do local cada vez mais animadas, a rainha costumava sair com sua comitiva em viagens nessas noites, o que ocasionava em eventuais viagens ao mundo humano, Aine fora escalada pela primeira vez.
O mundo das fadas era invisível aos humanos, no entanto, ele podia-se tornar acessível pelos portais mágicos, os anéis de fada, como eram chamados, nada mais que círculos em gramas que eram indicados pela própria rainha.
— Deve estar feliz Aine, por finalmente fazer parte da comitiva — Carlin falou sorrindo para a veela de cabelos rosas que se encontrava feliz ao saber do resultado.
— A tempos esperava por esse voto de confiança, ainda mais esse ano que será apresentada a filha da rainha — Aine olha para a fada que sorri alegre para si.
— Sim, chegou a hora de Grian ser apresentada ao mundo das fadas — Carlin fala fazendo-a sorrir olhando-a para seus olhos rosados como topázios imperiais.
Aine era uma veela, uma espécie de ninfa que era muitas vezes temida por seus poderes, por serem extremamente belas todos fugiam delas, pois sempre achavam que as veelas estavam os manipulando, ela não era uma puro-sangue já que seu pai era mestiço, no entanto, mesmo entre as veelas de sangue puro, Aine era poderosa, pois conseguia convocar os poderes que as mestiças comuns não podiam por conta da contaminação do seu sangue com outras raças.
— Sua mãe deve estar feliz — Carlin falou alegre fazendo o sorriso no rosto de Aine morrer, sua mãe fazia tanta falta para si.
— Desculpe Aine — Carlin fala rapidamente ao dar-se conta do que tinha falado.
— Tudo bem Carlin, está certa... onde ela estiver... está feliz — Aine fala sorrindo tristemente para a amiga.
Sua mãe era uma amiga da rainha o que fez Aine ser aceita entre as fadas, a floresta onde vivia com sua família fora devastada, seus pais perderam a vida salvando-a quando era apenas um bebê, ela morava ali no mundo das fadas desde que se lembrava, no entanto, nunca teve nada de mão beijada, sempre lutou para conseguir alcançar seus objetivos, por isso ela não aceitará fazer parte da comitiva apenas por sua mãe conhecer a rainha, ela exigiu que fosse feito os mesmos testes com ela.
— Preciso ir, até mais! — Aine fala de repente ao notar estar anoitecendo, tinha prometido ficar de guarda.
A floresta estava incrivelmente silenciosa naquela noite, como se os animais noturnos estivessem com medo de sair de suas tocas, o que era estranho já que normalmente a vida morava naquele lugar, Aine decidirá manter-se em guarda alta, pois seu coração estava apertado e estava com um sentimento ruim.
— Aaaaaaaah — um grito alto foi ouvido vindo do lado norte da floresta, pegando firme em seu arco e flecha a veela seguiu até onde vinha o barulho.
Ao chegar no local reparou em um homem alto com cabelos desgrenhados, ele estava de costas para si, mas podia ver que vestia uma camisa preta com uma faixa em cada lado do seu ombro até as suas coxas, ambos amarrados a uma corda preta em sua cintura, nunca o tinha visto antes em sua vida. Aine mirou a flecha para o homem que desviou sem dificuldades olhando para si com profundos olhos negros.
— Solte-a! — Aine fala friamente ao homem que a olha com atenção, ele mantinha a mão sobre o braço da pequena Grian, a princesa das fadas e filha de sua soberana.
— Uma veela? — ele perguntou olhando-a curiosamente.
— Mandei solta-la! — Aine fala novamente cerrando os olhos para ele que sorri astuto soltando a pequena que correu para perto da veela.
— O que quer aqui? — Aine pergunta olhando-o com desconfiança.
— Apenas passando — ele respondeu numa voz rouca fazendo-a olhar cada vez mais desconfiada para si.
— Sei que é um deus por sua aura, no entanto, nada aqui é de seu interesse! — Aine rosna para o deus que sorri astuto.
— Na verdade, acabei de encontrar algo que é do meu interesse, algo melhor que uma simples fada — ele responde fazendo-a franzir as sobrancelhas.
— Se não sair por bem... eu irei expulsa-lo daqui! Grian saia daqui! — a veela fala seriamente fazendo a pequena ficar estática.
Aine olhou para pequena que arregalou os olhos assustada para a veela e saiu correndo, Aine ao ver que Grian já estava longe suficiente, assumiu uma postura de batalha olhando friamente para o deus que sorri singelo para si, ele mantinha um olhar firme como se visse todos os seus movimentos.
— Criação de tornados — a voz da veela sai melodiosa gerando tornados ao seu redor.
O deus assumiu um olhar mais interessado ao ver os poderes da veela, antes de chegar a ele os ventos devastaram a floresta ao redor, quando mais ela os segurava perto de si mais os ventos ficavam fortes, quando ela o soltou com potencial total, eles foram em alta velocidade em direção ao deus que foi atingido caindo metros a frente.
— Tsc... pensei que seu poder seria mais forte — ele fala com a voz tediosa deitado na grama onde tinha parado.
A veela revirou os olhos vendo que ele não era um deus qualquer e que infelizmente seus poderes não eram páreos para ele, sorriu pensando que se fosse fácil não teria graça nenhuma matar o deus.
— Oh você acha mesmo? — a voz angelical chamou atenção do deus que sentou-se olhando com atenção para veela que o olhava mais serena.
— Qual seu nome? — ela perguntou com a voz baixa sentindo o deus olhar atraído para si.
— Belzebub — ele respondeu simplesmente estranhando seu comportamento com a veela.
— Sou Aine, Belzebub-sama — a voz melódica dela o fez ficar momentaneamente fora de órbita, o deus correu o olhar pelo corpo da veela olhando-a com extrema atenção.
Aine observa os olhos dele atento para si, sorri maliciosa aproveitando da distração dele convocando raios e relâmpagos para cairem sobre ele, no entanto, o deus os parou em um movimento fazendo-a bufar.
— Estava usando o controle das emoções para me manipular... isso foi interessante... — ele fala olhando-a como se ela fosse um brinquedo novo.
Aine fecha os olhos tentando pensar em uma saída quando a voz dele sai divertida.
— Desista, não vai conseguir lutar contra mim, no entanto, estou curioso é uma mestiça certo? — Belzebub pergunta com interesse evidente na voz.
— Minha mãe era uma veela pura e meu pai um mestiço, então sim, eu sou mestiça, porém mais forte que as existentes — Aine respondeu correndo os olhos pelo local em busca de algo que pudesse ser usado contra o deus, estava furiosa consigo, nunca tinha perdido uma batalha antes e nada do que pensava podia usar contra ele.
— Tenho uma proposta para você — ele fala atraindo o olhar dela.
— A quero como meu experimento — Belzebub fala fazendo-a rir.
— E você acha que eu vou aceitar ir com você? — ela pergunta irônica ao deus que abre um sorriso maroto para a veela.
— As fadas estão chegando e sei que está sentindo isso ou do contrário tentaria usar seus outros poderes contra mim, eu não quis lutar contra você, no entanto, se não quiser um massacre aqui, venha comigo — a fala dele a fez bufar de raiva.
— E o que me garante que não as matará? — Aine pergunta olhando-o em desafio.
— Vai ter que confiar em mim... — ele responde olhando-a maldosamente.
Aine ficou sem saída com a oferta do deus, pelo que pode ver ele não era qualquer deus e não poderia usar métodos comuns com ele, no entanto, não poderia permitir que ele matasse as fadas do local, observando que as chances estavam contra si, a veela decidiu arriscar.
— Aceito ir com você — Aine responde rendida ao deus que aproximasse lentamente dela levando-a para sua morada.
O local era sombrio e solitário o que a fez olhar curiosa para o deus, a sua frente, ele seguiu por um longo corredor sem dizer uma única palavra para si, bufando a veela o seguiu ficando atenta a qualquer movimento, até que o deus parou numa porta escura ao abri-la ela deu-se conta que se tratava de um quarto, ao entrar o local deixou a veela bastante surpresa, ela correu os olhos pelo local chocada ao ver quanto ele era luxuoso e tinha coisas que ela nunca vira em sua vida, o deus parou no meio do quarto virando para olhá-la.
— Ficara aqui, não a quero perto de mim a menos que eu ordene, está ouvindo? — a voz dele saiu totalmente apática fazendo-a ficar surpresa com a mudança do deus.
A veela virou o rosto do deus que a olhava totalmente indiferente, na verdade, se pudesse dizer algo, falaria que apesar dele olhar em sua direção, o deus não estava a enxergando realmente, como se não fizesse questão de prestar atenção na existência dela.
— O que quer de mim? — Aine pergunta olhando-o confusa.
A pergunta dela atraiu um olhar diferente no deus, ele olhou-a como se ela fosse a sua ultima salvação.
— Quero que me mate — ele responde ocasionando em um olhar chocado da veela.
— O quê?— ela pergunta aturdida fazendo-o suspirar.
— Mesmo que por pouco tempo... seus poderes funcionaram em mim, talvez fazendo os ajustes certos eu possa ter finalmente a arma... a arma que pode me matar — ele responde deixando-a sozinha no quarto.
Aine olha espantada para o local, o quarto era luxuoso com uma enorme cama dossel em um tom verde-escuro quase pendendo para o preto, uma escrivaninha ao lado e uma penteadeira com uma cadeira de veludo preto, ao canto notou duas portas, curiosa as olhou vendo um enorme banheiro e uma espécie de quarto que continha varias roupas que ela nunca vira na vida ficou curiosa ao ver tudo aquilo a sua disposição, suspirou voltando para o quarto indo em direção a cama sentou olhando curiosa para o redor, o quarto inteiro era em tons escuros ocasionando em um longo suspiro da veela.
— Onde eu fui meter-me? — Aine pergunta para si, suspirando.
A veela tinha acabado de acordar quando escutou uma leve batida em sua porta, ao abri-la deu de cara com um demônio fazendo-a arregalar os olhos.
— Belzebub-sama a espera — ele falou olhando-a com os olhos vazios, Aine suspira fechando os olhos.
— Vamos — ela responde firme escondendo totalmente seus sentimentos, não poderia demonstrar medo para aquele ser, finalmente algumas coisas estavam começando a encaixar-se, Aine deixou ser guiada pelo demônio.
A veela deixou os pensamentos tomarem conta de si, durante a noite tinha pesquisado sobre onde estava, era o inferno, ou melhor o submundo, a morada do Belzebub conhecido como Senhor das moscas, ele era um dos príncipes do inferno, finalmente entendeu o que ele disse quando falou sobre ela desistir de lutar com ele, foi tirada de seus pensamentos ao chegar em um local mais escuro, ao entrar deu-se conta que se trava de um laboratório, correndo os olhos pelo local encontrou o deus debruçado sob uma mesa onde continha uma montanha de livros, ele estava tão concentrado que nem ao menos notará que ela chegou.
— O que está fazendo? — Aine pergunta curiosa para o deus que ergue o olhar para si.
— Pesquisa sobre as veelas — ele responde a ela que ri debochada.
— Não era mais fácil perguntar para mim? — ela pergunta irônica.
— Não acho que gostaria de passar a noite contando-me sobre sua espécie — o deus replica fazendo-a bufar.
— Eu não sou seu novo brinquedo, no entanto, não sabe a vontade que estou de mata-lo! — a voz dela sai raivosa o fazendo sorrir.
— É exatamente o que eu quero — ele responde com a voz extremamente sarcástica.