O palhaço piratinha da perna de pau.
Zeca nasceu e cresceu numa família de circo, seu pai era palhaço e sua mãe equilibrista na corda bamba. Desde criança, Zeca observava e aprendia a arte de se apresentar no circo, o menino aprendeu com sua mãe cedinho a manter equilíbrio na corda bamba. Já, com seu pai aprendeu a arte de fazer as outras pessoas riem muito. O menino era um pequeno palhaço do circo, pois quando criança já era engraçado demais.
Zeca ficou adulto vivendo naquele circo, cujo era sua casa e sua vida, totalmente envolvido no circo até o amor ele encontrou no ambiente circense. Aconteceu assim, um dia enquanto fazia seu número de graças no picadeiro, uma moça sorriu da arquibancada para ele, não era uma explosão descontrolada de risada, era um sorriso sutil e encantador.
O rapaz, depois que terminou seu número do espetáculo como palhaço, limpou a maquiagem e procurou aquela moça que tanto lhe encantou, os dois conversaram e um encontro de almas aconteceu. Enquanto, seu circo estava naquela pequena cidade, ele namorou aquela moça.
No dia que o circo saiu da cidade, a moça seguiu com ele. Os dois se tornaram a sombra um do outro, Zeca era sombra da moça e a moça sombra de Zeca. O tempo não demorou, o rapaz casou com aquela moça que se chamava Juliana. Eram muitos felizes. O casamento de Zeca com Juliana trouxe ao mundo dois lindos e saudáveis filhos.
Certo dia, o circo mudou de cidade, como costume de sempre, era uma tarde chuvosa e, na pista molhada cheia de buraco, aconteceu um acidente com um dos carros que transportavam os pertences e pessoas do circo.
No carro do circo, Zeca estava com sua família e no outro carro que colidiu, vindo da via contrária, uma perna do palhaço Zeca ficou presa nas ferragens. Ele foi socorrido e encaminhado a um hospital daquela região, porém não teve mais meios na medicina para preservar sua perna. Aquele palhaço andante sobre corda bamba, teve que ter sua perna amputada acima do joelho.
Aquele palhaço não sabia de nada, quando Zeca acordou tomou consciência que estava sem sua perna esquerda. Ele despertou ali sozinho e, logo na sua mente, veio uma lembrança do que poderia ter acontecido. O palhaço que fazia todo mundo sorrir, raras vezes tinha chorado na vida, agora seu rosto deu lugar para tantas lágrimas.
Logo, uma enfermeira e um médico vieram conversar com o jovem. O rapaz olhou para a jovem enfermeira e para o médico e perguntou: - "Como um palhaço viverá sem uma perna?".
Os dois profissionais da saúde ficaram em silêncio por entender a profunda dor de Zeca. "Minha esposa Juliana está aqui?. O que aconteceu com minha esposa?", Zeca perguntou para a enfermeira. A enfermeira falou: - "Sim Zeca sua esposa está, ela não saiu nenhum momento daqui do hospital, esperando a hora de você acordar". A enfermeira foi chamar a esposa de Zeca.
Zeca, quando Juliana entrou na enfermaria, então chorou abraçado com sua companheira Juliana. O casal já sabia de toda dificuldade que passa os artistas de circo e, agora, daqui para frente, não sabiam como ficaria para ganhar o pão.
A tristeza do Zeca, ao questiona-se, era enorme: - Como vai ser mulher minha vida? Agora, eu, no circo como palhaço darei cambalhotas? Como, eu, palhaço dançarei? Como, eu, palhaço andarei na corda bamba? Como, eu, palhaço pedalarei na bicicleta de uma roda?. Eram, muitas perguntas que precisavam de respostas, para sua vida continuar ativa.
- "Tudo na vida tem jeito! Estou muito feliz por vê-lo vivo e não correr nenhum risco de vida". Tranquila, falou sua esposa.
Juliana, esposa de Zeca, uma grande companheira, amava-o muito, o importante para ela era está ao lado do esposo.
Tempo depois, Zeca enxugou as lágrimas ali naquele hospital, rápido aquele palhaço já voltou a fazer palhaçada com as enfermeiras, os médicos e outros pacientes, todos sorriam com seu jeito engraçado.
O seu circo estava armado naquela cidade, dias depois Zeca teve alta e teve que se adaptar andando com uma muleta. Dava para o palhaço andar com uma perna mecânica, mas ele não tinha condições financeiras de comprar. Tudo era novo para o Zeca, porque lhe faltava uma perna.
O seu circo seguiu em frente, a magia do espetáculo não podia terminar, o pai do Zeca ainda fazia palhaçada. Zeca, um dia abriu sua mala que continha as roupas de palhaço, aquela roupa colorida, aquela peruca engraçada, etc. Ele não ficou apenas apreciando as roupas, pouco a pouco, o palhaço começou montando seu figurino: 1. Colocou o nariz vermelho; 2. Maquiou sua boca; 3. Maquiou seus olhos; 4. Colocou o par de luvas; 5. Chega a vez dos grandes sapatos, o Zeca olha para aqueles dois sapatos, não fica triste por precisar agora só de um sapato, e, assim, calça seu sapato no pé direito.
O rapaz escuta todos sorrindo na platéia, pensa em desistir antes de entrar no picadeiro. Ele sempre foi muito bom com as piadas e com as falas engraçadas. Sua esposa e seus filhos olhavam Zeca com aquela dúvida. As crianças falam, "vai papai entra no picadeiro, o senhor consegue é só pegar a moleta e andar até lá". "O senhor parece agora ser um pirata", falou um dos filhos. Aquele palhaço, chamado artisticamente de "zezeco", teve uma grande ideia, porém não entrou no picadeiro naquele dia.
Zeca, era muito inteligente, no dia seguinte, Zeca, sentou-se pegou uma fita métrica, mediu o tamanho da sua perna, depois mediu alguns pedaços de madeira, lona e parafusos. Serrou as madeiras, cortou a lona, parafusou a lona na madeira e costurou a lona para envolver lona com madeira, rápido ele fez uma perna de pau parecida com as dos piratas.
Passou o resto do tempo pela tarde aprendendo como andar com aquela perna. Bem depressa, aprendeu como andar com sua invenção.
Ao chegar da noite, o circo se preparou para mais um espetáculo, seria última vez do circo naquela cidade, Zeca convidou para a plateia as enfermeiras e médicos que cuidaram dele durante o tempo que teve internado.
O palhaço, mais uma vez abriu sua mala, colocou sua peruca engraçada, maquiou-se, colocou seu nariz, vestiu sua roupa colorida, calçou apenas o seu sapato direito, colocou sua perna de pau, tampou um olho como um pirata e terminou colocando um chapéu feito de jornal dobrado sobre sua peruca.
Ouvia os aplausos do "respeitável público" e o chamado do seu pai anunciando com megafone, "queremos outro palhaço como sempre entrava Zeca no picadeiro". O pai do artista, continou falando: - Agora com vocês o palhaço "Piratinha da Perna de Pau". A sua perna é tão dura que tubarão comeu um oedaço e até hoje passa mal.
Assim, Zeca, o palhaço piratinha entrou naquele picadeiro e começou a fazer seu número de brincadeiras, todo mundo sorria e se divertia.
Tanto, aquele médico como aquela enfermeira que tinham visto ele chorar naquela noite já não lembravam mais dele triste. Aquele palhaço só chorou na vida uma noite, pois era o dono da alegria. Precisou na vida se reinventar como profissional, mas não deixou a tristeza tomar conta do seu olhar.
O bom palhaço piratinha fez tanto sucesso com a criançada que o circo teve que ficar mais um tempo na cidade, porque todos queriam ver aquele palhaço atuando. Nessa reviravolta, Zeca continuou sua vida no circo, ao lado da sua esposa, dos seus filhos e dos seus pais.
O seu médico perguntou, "como você está Zeca?". Ao que ele respondeu, "estou bem feliz, posso trabalhar com minha arte e sustentar minha família. Um palhaço também é filho, esposo e pai. Sustentar sua família com a arte de fazer outras pessoas felizes é muito bom".
Ah, faltou eu falar que Zeca agora está dando jeito de voltar a andar na corda bamba. Pois, eu acredito que ele vai conseguir pois ele é determinado.