Astral, físico
Quando vejo estrelas alinhadinhas em órbita logo me estresso, acho que peguei essa mania de você. Quero logo passar o dedo, descarrilhando todas para que formem, de maneira torta, um ou outro desenho que chamaremos de constelação lá na frente. Porque, sim, as constelações não passam de bagunças estelares nomeadas de forma bonita. E você, Jones, é a bagunça estelar mais bela de todas.
Não só porque todos nós somos poeira estelar, mas porque você é um complexo sistema de estrelas, as quais demorei muito tempo para descobrir e catalogar. Pois você é assim, demora para mostrar suas estrelas, mas quando pude as ver, me apaixonei ainda mais por cada uma delas, e, claro, o sistema que elas formam: você. E sim, garoto estelar, amo-te desde a primeira vez que te vi com meu telescópio.
Cada uma te tuas estrelas, teus planetas e teus cometas, amo cada um deles incondicionalmente. Quando toco teu corpo celeste, sinto as estrelas em mim vibrarem, pois cada átomo do meu corpo quer se ligar ao seu, abraçando-o para a eternidade. Quando entrelaçamos os nós dos cometas, formam-se novas estrelas, e as dividimos direitinho: uma 'pra você, uma 'pra mim. Se bem que eu poderia pegar todas, pois você já tem brilho demais dentro de ti.
E quando precisamos fugir 'pra outra galáxia, entretanto, você ultrapassa a velocidade da luz. Tu pisas em estrelas cadentes e as usa como se fossem seus longboards e eu fico plantado num sistema qualquer, vendo você desaparecer pelas estrelas.
Sei que roubaria os anéis de saturno e de todos os outros planetas 'pra mim, mas queria poder tocar teus cometas todos os dias, tirando os feios e formando seu cinturão apenas com os mais belos.
Um dia, garoto estelar, sei que estaremos assim, juntos pela eternidade, ligados átomo por átomo, e eu esperarei quantos anos luz precisar, pois nosso amor é assim, astrafísico, e não precisamos nos preocupar com tempo-espaço. Tu és o tempo que corre em mim, e em certo tempo não haverá mais espaço entre nós.