O ar fresco da montanha abria caminho pelos seus pulmões acinzentados; ceifava, cortava, retalhava. As golfadas desciam pela sua garganta como uma enxurrada de cacos de vidro. O vento arranhava seus olhos em cujas íris castanhas o sopro entalhava as pontas da estrela da manhã, já pendurada no céu purpúreo e desnudo.
Cada pedalada demandava mais e mais de seu corpo cansado, um corpo de quem havia varado a noite até a madrugada dolorida como golpes de chicote em um choro copioso, de lágrimas ácidas e caudalosas, que queimavam suas bochechas pálidas. Pedalou e pedalou; pedalou e pedalou; pedalou e pedalou até suas pernas arderem e até seus joelhos latejarem e até suas coxas ficarem dormentes e até suas panturrilhas arderem em cãibras.
Então Jeno derrapou na terra acima da pequena estrada, escorregou até a borda de onde pendeu a primeira roda de sua bicicleta vermelha. A poeira cinza e o pó marrom sujaram suas calças de pijama. No tornozelo, um pequeno corte abriu. Na boca, um grão de poeira entrou. Jeno desceu da bicicleta caída e rastejou como um animal até o penhasco, onde se sentou e fitou a cidade ainda amanhecendo. A queda abrupta do monte de terra e pedra desenhava um platô estreito, seco, sem árvore ou grama no topo. Ali se despediu da noite com a lua tatuada no rosto e o coração entre os dentes Dela. Em silêncio, tornou a chorar.