Olhando-se no espelho da penteadeira cor madeira, a bela jovem se vê em um turbilhão de si mesma. Enquanto penteia seus cabelos, ela não para de pensar. São tantos pensamentos, são tantas as emoções, que ter coração é ser assim, é sobretudo sentir.
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Já são uma e quarenta da madrugada, tive um dia difícil, sinto um aperto no peito e a ansiedade começa a querer bater na minha porta. A sensação de sufoco me deixa desesperada, isso é tudo culpa do meu silêncio, da minha mania de calar a voz da rebeldia dentro de mim. Tentei me distrair indo a academia, comendo chocolates e escutando músicas que me agradavam.
Sentir coragem de finalmente falar sobre o meu desespero...
AMAR!
O amor sempre foi meu ponto fraco, amar alguém, coisas e momentos... amar nesse mundo difícil, era isso que eu queria dizer. Não, não toquei em reciprocidade, nem em acusações, não mencionei nomes e muito menos falei sobre níveis de intensidade.
Será que amar nesse mundo é ingenuidade? Por Deus, quando foi que falar de amor se tornou ingenuidade? Porque não consigo tirar a droga da “ingenuidade” do meu coração então?
Acontece que meus sentimentos e minhas emoções estão me atingindo em cheio fazem dias, talvez meses. Como uma onda enorme e forte que eu não consigo parar, não consigo me proteger e por mais medo que eu sinta, ela sempre virá ao meu encontro.
Mais quer saber?!
Da próxima vez que a onda se aproximar, irei em sua direção.
Vou me jogar naquele azul furioso.
Pode ser que eu me afogue ou que eu ande sobre as aguas, eu não me importo com o que vai acontecer comigo. A única coisa é que eu quero saber o que vem depois do azul, sendo bom ou ruim, sinto que posso vencê-lo. Talvez engolir um pouco de agua salgada ou até mesmo o meu orgulho. Ficar sem respiração, subir à superfície a procura de alguém para segurar minha mão ou tirar a agua dos meus pulmões.
Pode ser que eu acorde em uma ilha deserta, só eu e minha solidão. Vou sobreviver em meio ao nada, com meu guia de sobrevivência em mãos e meu cabelo estilo praiano com conchas e areia, como Afrodite, para que eu nunca esqueça nada sobre o amor próprio durante a minha caminhada.
Beber agua da tempestade tropical que são minhas lagrimas, procurar refúgio nas cavernas quentes dos meus lençóis e apreciar o paraíso das minhas ingenuidades diárias.
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Colocou sua camisola de seda branca, inclinou-se sob a vela acesa e a assoprou. Caminhou em direção a cama, que agora era um emaranhado de sonhos e lençóis, deitou e se amou.