Sou antítese
Barroca
Quase paradoxal
Satanista em prol do próximo
Crise existencial
Sou a esmo
Sou alheio
Anã branca sem nascer
Se vivo,
Não sei onde,
Perdido num mar de ver
Sou sentido
Sou o frio
Sem sentido e um tanto vil
Sou volátil
Sou o vento
Meu próprio Deus desatento
Sou as pedras,
Mas as dunas
Que se animam com os pumas.
Sou o púrpura da liberdade
Tecido em fragilidade
A chama da vivacidade
Enclausurada em realidade.
Sou a luz egoísta
Sou o dia em plena noite
Sou a sombra que varia
Mas também sou o açoite
No furor, com vigor,
Eu sou a Dor!
No raiar soturno da melodia
Sou branco de marfim
Grama feita de cetim
Sou o pulso, a batida
Sou, pois, a Vida
Sou assim...
E serei Morte, por fim.