Um delírio, talvez.
Nilton Victorino Filho
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 26/02/21 11:45
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
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Capítulo Único Um delírio, talvez.

Um delírio talvez

Olhando a foto do nosso amigo Alfredo Ruy Cardoso penso que se trata de uma pessoa que tem mais coragem que eu, Deus me livre de chegar a cinquenta metros da beira de um abismo, tenho vertigem galopante.

Outro fato que demonstra coragem dele é o fato de ter ido até ali, monido de uma câmera, num tempo em que a fama do local não era das melhores, por outro lado, jamais teríamos a imagem da memória, pois, se não me engano, esse é o único registro fotográfico da famosa Pedreira, parabéns a esse intrépido aventureiro.

Pode-se dizer que era um lugar de amargas recordações para todos os antigos moradores do bairro e até para o próprio bairro mas, eu também tenho um quê de memória boa da Pedreira.

A Pedreira funcionou até o ano de 1984 e já guardava vários casos de torturas e mortes por assassinatos e uns tantos afogamentos, portanto, ninguém em sã consciência entraria naquele lugar ermo.

Depois de desativada, o barracão dos funcionários, um enorme e amplo galpão ficou sob a responsabilidade de um camarada super do bem.

Vilmonte era um crioulo que media pra mais de dois metros e era mestre de capoeira, um sujeito calmo e misterioso, a ele os moradores atribuíam poderes mágicos, dizem que ele desaparecia, evaporava mesmo.

Conta-se a lenda que, num baile perto do ponto final do Paulo VI, o Nego Vilmonte pegou-se numa briga ordinária e a polícia foi acionada.

O moço meteu os pés nos quatro ocupantes da viatura, chamaram reforço e mais quatro meganhas apanharam, quando chegaram mais três barcas, diante de todos os olhos inchados e vazados, o crioulo simplesmente se desmaterializou.

Além de comandar a roda de capoeira o Vilmonte era adepto da umbanda e discípulo de São Cipriano, a roda era frequentada por malandros de toda a região do Butantã, entre uma pernada e uma agachada sempre pairava a fumaça da erva, o local sendo uma mata fechada, era sempre convidativo.

Num sábado, já era quase noite, eu e o amigo Viana voltando pela estrada velha de Cotias:

_Mano, já que você não deu nenhum tapinha, me tira uma dúvida...

Beirando a pista que se avizinhava à mata de eucaliptos, eu forçava o passo para sair logo daquele pedaço amaldiçoado:

_Sim, pode perguntar.

_Cara, o Nego Vilmonte deu mesmo quatro giros no ar???

_Sim neguinho.

Ficou o neguinho aliviado por não ter sido o visto fruto da imaginação dele, um barulho veio lá de trás e ele falou:

_Fica na manha, ele vem aí atrás.

O passo ficou mais forte e fui forçado a olhar, virei e não havia nada, ainda que o barulho dos passos continuassem a ser ouvidos.

_Pôxa neguinho, tá me sacaneando???

Assim que ele se virou e contatou que só havíamos nós na estrada, passou a correr, corremos até o portão do Educandário Dom Duarte, ficamos ali ainda mais meia hora e nada do Vilmonte.

Agora pensando bem, é bem capaz de esse personagem ter sido só uma alucinação.

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Comentários (2)
Postado 27/03/21 23:29

Amo suas histórias!

Obrigada por compartilhar conosco.

Postado 12/10/21 13:13

Era uma alucinação ou não era uma alucinação, eis a questão!

Que bela foto na imagem de capa do texto, seu amigo é corajoso mesmo de ter ido tirar foto ali!

Obrigada por compartilhar suas memórias conosco!

Um abraço <3

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