Quando somos adolescentes temos todo um plano na vida. Aquele namorado da sala ao lado parece eterno e nunca vemos o que realmente está para chegar.
Hoje com vinte e dois anos. Solteira e sem um pingo de amargura por assim o estar. Sinto que todos aqueles filmes que uma vez me atraíram são agora um dos meus maiores ódios.
Porque é que eu não posso ser feliz sozinha? Dependente de mim mesma. Independente de uma relação, de uma pessoa para ocupar o espaço da minha cama que sempre foi meu por direito?
Não, não sou contra o amor ou contra amar alguém. Sou contra quem me apressa e não me deixa apreciar o momento. Quem decide o bater do meu relógio interno. De que as rugas são o meu maior inimigo e que sozinha nunca terei um caminho ou uma vocação.
Com vinte e poucos anos, o que eu mais quero é trabalhar, beber vinho ao fim-de-semana com uma melhor amiga enquanto fazemos caretas ao comer queijos nunca antes provados. Quero viajar nas férias sozinha. Chegar a casa a horas que quiser e não ter que dar satisfações a ninguém. Falar com todo o mundo, dormir em casa de amigos. Passear pelo país, pelo mundo e comer todas as comidas do mundo. Quero apaixonar-me por mil e uma coisas que me envolvam a mim.
Aos vinte e dois anos sonho com uma relação no futuro, um amor que me faça levantar e voar por aí. Que me traga conforto. Mas não o desejo agora.
Na minha fase de jovem adulta o que eu mais quero é conhecer-me, experienciar a vida e perceber aquilo que procuro não só em mim mesma, mas na pessoa com quem desejo passar mais que duas noites. Quero crescer espiritual e mentalmente. Ser eu a atribuir o significado da minha vida ao invés de um livro ou pessoa fazerem isso por mim.
Eu neste momento estou num relacionamento sério comigo. Onde dedico o meu a fazer-me feliz. A comer o gelado sozinha na cafetaria e a tirar aquele fim-de-semana para me levar à vinha e comer à luz das velas. Estou a viver o momento em que eu, os meus interesses e sonhos são a minha única preocupação. E tenho pena de quem vê em mim uma coitada sem sorte no amor.