CENA ÚNICA: INT. SALA DA CASA – NOITE.
Há uma cadeira centralizada na sala, onde situa-se um homem amarrado de cabeça abaixada. A sua frente há três homens mascarados e uma mulher sentada em uma poltrona, com as pernas cruzadas.
VALÉRIA: Você realmente achou que seria fácil nos enganar? O quão ingênuo você é, Ricardo? Desde o começo notamos suas atitudes estranhas e os seus sumiços durante as missões, mas fomos dando corda para ver até onde iria sua confiança. E devo dizer que realmente me surpreendeu.
Ricardo leva a cabeça, encarando Valéria.
RICARDO: Fiz o que achei ser certo. Estava tentando protegê-los e...
Valéria se levantou de abrupto, dando um tapa forte do rosto de Ricardo, calando-o.
VALÉRIA: Protegê-los? Eles são meus filhos. MEUS! Com que direito você acha que pode se dirigir a eles? Arthur foi preso por sua causa. Você o incitou, manipulou, não nos deixando uma alternativa a não ser armar uma emboscada. Mas não ache que sairá ileso. Você pagará caro por isso.
Valéria amordaçou a boca de Ricardo com um pano, enquanto se contorcia na cadeira tentando se soltar. Valéria se vira para o primeiro capanga, estendendo sua mão na direção dele.
VALÉRIA: Dê-me a faca!
O capanga rapidamente retira uma faca de sua mochila e entrega à Valéria. Esta sorri, passando o dedo e sentindo o corte do instrumento enquanto encarava Ricardo. Sem muita paciência, começou a desferir várias facadas pelo corpo alheio. Começou fazendo um corte profundo na coxa direita, enquanto Ricardo tinha seus gritos abafados pelo pano. Em seguida, Valéria faz o mesmo procedimento na perna esquerda, observando a poça de sangue que começou a se formar no chão.
VALÉRIA: Ah, eu amo essa cor. Não acha que o vermelho combina com tudo, inclusive com esse momento?
A mulher começa a gargalhar, fincando a faca no abdômen de Ricardo.
CAPANGA 1: Senhora, é o seu marido na ligação. Ele disse que a polícia está a caminho, alguém vazou a informação que estaríamos aqui. Temos apenas 15 minutos.
Valéria olha com desgosto para o seu capanga. Indo em sua direção, retira a mochila de suas mãos, pegando uma arma.
VALÉRIA: É uma pena que a diversão tenha sido interrompida. Gostaria de passar mais tempo nos divertindo, mas infelizmente a sua comparsa nos denunciou. E sim, sabemos quem ela é, e acredite, em breve você a verá no inferno. Adeus Ricardo, espero que Satã não tenha piedade da sua alma.
Valéria aponta a arma e atira na cabeça de Ricardo, vendo o sangue esguichar e sujando-se levemente. Ela olha para um novato que estava quase escondido atrás do seu capanga, apontando o dedo em sua direção.
VALÉRIA: Você, novato, livre-se do corpo. E vocês dois limpem a bagunça, não deixem nenhum vestígio. Quero tudo pronto em 5 minutos.
Valéria sai de cena. O novato vai em direção ao corpo sem vida, retirando-o da cadeira e saindo de cena. As luzes se apagam. Escuridão total. Após cinco minutos as luzes se acendem novamente, a sala se encontra limpa sem nenhum vestígio de sangue. Valéria está limpando as mãos, enquanto observa seus capangas.
VALÉRIA: Muito bem, estão de parabéns. Você, novato, espero que tenha se livrado e escondido o corpo.
NOVATO: É claro, madame. Eu joguei o corpo na piscina atrás da propriedade, ninguém irá suspeitar.
O novato sorri, fazendo uma pose superiora. Valéria para de limpar suas mãos, encarando o novato com uma expressão raivosa.
VALÉRIA: E posso saber o que exatamente você fez com o sangue na água?
NOVATO: Sangue? O-o quê?
Valéria joga o pano no chão com força, indo em direção ao novato e apontando o dedo em sua cara.
VALÉRIA: O SANGUE FICOU NA ÁGUA, SEU IMBECIL.
Antes que pudessem fazer algo a respeito, ouve-se um barulho da porta sendo arrombada. Valéria e os capangas olham assustados para a polícia que havia acabado de chegar antecipadamente, com as armas apontadas em suas direções.
POLICIAL: PARADOS! Vocês estão presos. Ergam as mãos para o alto e sem gracinhas!
Valéria é algemada, assim como seus capangas, mas antes de ser levada ela se desvencilhou do policial que estava a escoltando, indo em direção ao novato e acertando-lhe um chute forte nas partes íntimas. O novato caiu de joelhos no chão, chorando de dor.
VALÉRIA: Idiota.
A polícia escolta todos para o carro, seguindo em direção à delegacia.
Fim de cena.