Cansada de tudo!
Presa na velha história...
Sempre a amiga,
Nunca a amada
Nunca a amante...
Sempre a cupido de todos
Nunca o alvo!
Sempre ajudando
Nunca ajudada...
Romances, palavras doces
Poesia, agonia!
Sempre amando
Nunca amada...
Seus desejos, seus sonhos
Valiam nada!
Ninguém a olhava
Ninguém a via, até que...
Ele apareceu!
Lindo, perfeito
Amigo, amante
Tudo o que sempre sonhou...
Infelizmente era ela um simples fetiche
Era um brinquedo
Que o narcisismo dele
Manipulava em segredo...
Levou-a às alturas
Fez com que ela sentisse que era especial
E ela se deu
Derretia-se em elogios ao amado...
Dia a dia alimentava a Narciso
E ele brincou
Gozou, fez dela o que quis
Depois cansou e se foi.
Ela chorou, implorou, rastejou
Patética, digna de pena...
Sem ele era ninguém
Sem ele já não existia...
Tentou conversar
Tentou investir
Tentou seduzir
Humilhou-se até o pó!
Ele se divertia, ria, zombava!
Seu sofrimento a ele não tocava
Fez questão de ir a casa dela
Levou uma bela e a beijou na frente dela!
Usada! Rejeitada! Humilhada!
Isso não ficaria assim...
Comprou uma bela faca
Afiou com cuidado e carinho
Admirou a brilhante lâmina...
Convidou-o, que viesse sozinho
Era o último adeus na ponte do cais
Tinha um presente...
Ele chegou magnífico, como sempre!
Me concede um último desejo?
Um beijo e te dou o seu presente...
Ele sentindo-se um deus
Se inclinou sobre ela para o adeus...
Lábios quentes, beijo ardente
O presente ela lhe deu
Sangue quente escorreu
Tingiu de escarlate a brilhante lâmina.
O corpo dele caiu no mar
Ela sentiu a brisa, o ar
Lindo luar
Perfeita cena...
Chegando tranquilamente em casa
Rosto em brasa
Foi ao dicionário: AMOR
Repousou ali a preciosa lâmina tingida de escarlate.