Vai e vem pelo tempo
O verão não faz ficar quente
Não aqui
Mas não deixa esfriar
Fica algo indefinido
Não quente
Não frio
Mas sempre com neve
É início de 2017
Quando a conheço
Em quatro meses
Depois
Eu fui capturado
Pela segunda vez
Um ano antes
Eu estava envolvido
Não era amor
Talvez paixão
Mas sempre terminava na cama
Uma chama
Não apagava nem crescia
E sem espaço para poesia
Um ano depois
Nunca mais ouviria sobre ela
Nem de seu corpo
Nem seus gemidos
Nem de sua fala mansa
Para me seduzir
Eu fui capturado
A liberdade era uma mentira
Ainda é
Mas a ingenuidade reinava
Apenas para testar
Onde eu iria
Isolado
Feito para agradar outros
A mente era onde as barras estavam
Eu fui chamado de várias coisas
Para destruírem meu ser
E aceitar as algemas
Sem “mas”
Algo indefinido
A dois anos eu a satisfazia
Não era poesia
Nem pude dizer adeus
Mentiras bonitas
Para uma cama
Não dizia quem ama
Não era eu
Não era ela
Ia e voltava
Com queria deixar
E sempre era comigo
Na cama a rolar
Se eu não tivesse confessado
Minhas vergonhas a ela
Quem sabe não teria isto acontecido
Quem sabe cada um em uma cama
Teria dormido
Quem sabe se eu tivesse sido forte
E dito não
Teriam me ignorado
E não me levado
Fui levado escravo três vezes
Mas a verdade
É que antes de ser escravo de homens cruéis
Fui escravo de uma mulher
Escravo de conversas quentes
Pernas envolventes
E mãos que me deixavam nu
Nu de corpo
Preso pela alma
Um peito acolhedor
Lá não tinha espaço para a dor
Nem amor
Era uma conversa distante
E conversa não era o forte
Fui escravo
Não era rosa
E nem cravo
Apenas vivia atrelado
Em seus braços e pernas
Nunca houve prisão tão boa
Apenas para um dia
Descobrir que nenhum tipo de prisão
É bom
Artur Poeta da Neve