Sequela quântica de desvario mui grave.
Arrebentei a porta, e no entanto
retinha a chave, entalada na garganta.
Asco.
Sujeira ratazânica na podridão de aço da metrópole.
Ferruginosa conspurcação metálica de ecos.
Espirro retumbante nos trapos de roupagens baratas.
Pratos a lavar; cantinhos a serem varridos; poeira,
gavetas fodidamente bagunçadas; escombros
de cidadelas empestadas pela guerra; cabelos
ruivos de donzela satânica tomada pelo fervor
da prece fendida entre abismos de especulações
plainando na superfície dos signos postos em marcha
pela embriaguez psicomotora do transe sisudo
locomotivamente com rumo ao fundo do fogo primeiro
nas entranhas do altar-mor da fundição de matéria bruta
da separação do sutil nas reticências oníricas dos cortes
das cores alavancadas em meio ao progresso fúnebre
dos encanamentos que roncam nos círculos de Dante
com incontáveis vermezinhos ruminando a carne pregressa
no auge da receptação do óbulo
imbuído do ônus musical
para levar melodias medonhas aos ouvidos incautos --- e já sem ar para ler linhas que se seguem a linhas --- ininterruptamente --- fatos criminais, manchetes de jornais, memes banais, rostos crispados pela miséria constante, a crucificação cotidiana dos pobres salvos temporariamente na ideia da salvação eterna, talvez salvos enfim eternamente?
Eternidade!
A que isto nos leva?...
Cachoeira de gozo jorrando metafisicamente da mais louca vulva.
Retenho para mim as lágrimas secas do sertão.
Das casinhas de pau-a-pique e dos jegues e do breu,
a lembrança da simplicidade de pensamento que arreia
o cavalo volitivo em direção ao cumprimento de atividades
perfunctórias.
Mas ai! terei ainda de agir?
O chicote da necessidade continuará molestando meu corpo?
Todas essas exigências, discussões, enfrentamentos!
Como isso me pesa!
Como me pesa o agir! O olhar, o ver, o comer...
Como me pesa o nome, o gesto, o registro!
Esses mil olhos em rede; essas feras tramando,
como eu, mil planos na cabeça febril de delírio!
Quem irá deter a roda?
Mas como?
Nem sequer a roda!
O giro preexiste à palavra...
A palavra é uma hipótese na qual pusemos fé.
O giro nem sequer se importa.
O giro?
Agito de forças em que se passa da vida à morte
e da morte à vida
perpetuamente no claustro do real invencível...