Há muito decidi velejar,
mesmo em alto mar,
jamais permiti me enjoar.
O barco, majestoso e autoritário
de nada tinha a ver com seu coração ordinário.
Segui seus passos, de bombordo ao içar das velas.
Antes tivesse traçado meu caminho pelos becos e vielas.
Tudo pareceu perdido quando me apaixonei completamente,
uma pena você ter se mostrado um marujo incompetente.
Incapaz de amar, despejou ilusões,
despedaçou corações.
Até me fez cristã, já que todos os dias
pedia em minhas orações
para que esse barco eu pudesse abandonar.
Mas como? Se meus sentimentos não conseguia domar?
Depois de tanto desespero,
amarrei meu desejo.
Fez-se então, o meu despejo.
Com tanto a se falar,
depois de tanto me machucar,
o barco estava prestes a afundar.
Então, pulei.
A vida, fui encarar.
A coisa mais difícil que fiz
foi abandonar,
pular, para em sentimentos, não me afogar.