— Boa noite! — falei por educação e tentando parecer o mais "normal" que eu pude. Logo depois foi como se uma bolha acústica invisível tivesse envolvido minha cabeça, uma ensação de dormência que causava um eco ensurdecedor dentro de minha cabeça.
É fato que já faziam algumas semanas que passava por aquela porta, e justo por isso, cada vez que tinha que ir ali, parecia pior que a última vez. Odiava aquele monte de gente num local só. Odiava especialmente o fato de serem todos muito jovens. Jovens "antenados", legais e agitados. — suspiro. — "Isso não é pra mim "— penso.
Apesar da aparente "surdez" momentânea, causada pela ansiedade exagerada em resposta àquele momento tenso, eu tenho quase certeza de que ouvi um "boa noite" em resposta de um deles enquanto que o outro apenas sorriu pra mim, me dando passagem na porta do estabelecimento.
Então eu segui meu caminho, tendo forçado uma pequena curva em meus lábios, tentando imitá-lo. Minutos depois ainda pude sentir os músculos tensos de minhas bochechas parecerem dormentes, quase esgotados.
Você deve estar se perguntando se eu era uma velha senhora e a resposta é não. Jovem demais, imatura demais, tímida demais. E quando digo isso quero realmente dizer: exageradamente. Do tipo que talvez precisasse de um tratamento ou do tipo que não acreditassem se eu dissesse.
Eu não estava acostumada a lidar com gentilezas ou acreditar na boa vontade de estranhos. Mas o sorriso daquele cara na entrada ficou na minha mente. Enquanto eu me afastava, com medo de tropeçar a qualquer momento, o gesto me fez refletir um pouco. O rapaz, mesmo sem saber, havia me doado uma alegria gostosa de se sentir no momento, e eu precisava daquilo.
"Talvez as pessoas não sejam todas tão hostis como eu pensava." Finalmente eu pude relaxar. Aquele sorriso, de algum jeito simples e puro, devia estar marcado na história desde sempre, para ficar registrado em minha mente ainda por mais alguns dias.