Pinturas do cenário urbano
Tháiza Lima
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 15/03/16 23:23
Editado: 20/04/16 00:04
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 1min
Apreciadores: 5
Comentários: 1
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Palavras: 167
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

Um texto curtinho que eu fiz no intevalo entre as aulas tendo como inspiração o tema do desafio quinzenal anterior (materialismo)... e ele não tem muito a ver com materialismo, pra falar a verdade, shuahsua. A professora estava falando sobre a influência da mídia no Brasil e saiu isso. Tem mais a ver com os versos "mas ao cair a noitinha/ não posso dormir/ as pinturas me olham medonhas", do poema inutilis, da beautifulLetter.

Desculpe se estiver confuso ^^ boa leitura!

Capítulo Único Pinturas do cenário urbano

As pinturas me observam nas paredes da cidade. Não há museu em que se encaixem, elas se aderem em muros e outdoors, roupas e carros, até nas falas das pessoas.

As pinturas estão presentes na maquiagem das garotas e no perfume dos garotos, em cada conversa e em cada olhar; iludindo, manipulando, fazendo-me acreditar.

Que posso dizer a elas, que me deixem em paz? Elas me observam e não me veem, pois observam não só a mim. Sou uma pedestre dentre a multidão que passa em frente e devolve seu observar.

As pinturas ocupam espaço, elas abrem espaço. Espaço destinado a jovens e idosos, lazer de crianças e adultos, crescimento de área verde. Elas roubam espaço, o meu espaço, o espaço das árvores.

Tenho como dizer a elas que quero meu próprio espaço? Elas invadem até meu lugar mais privado, o tempo todo e todo tempo, pinturas na parede e pinturas soltas ao vento.

Elas têm olhos, sabe, olhos humanos. Elas estão sempre observando, no cenário urbano.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Obrigada por ter lido, pode deixar uma opnião, se quiser <3

Apreciadores (5)
Comentários (1)
Postado 29/06/16 18:38

Sou um maldito doente mesmo... Ao ler seu conto, imaginei o protagonista vivendo em um mundo perturbador que somente ele se dava conta existir (realidade ou fruto de esquizofrenia não declarada/assumida? No caso, não importa)...

Passado o delírio sobrenatural que me acometeu, creio ter enfim me atentado à mensagem original que a senhorita desejou transmitir. A leitura me arremeteu ao discurso feito pelo antagonista Gamma, de Yu Yu Hakushô (sobre o poder atemporal da pintura sobre os seres vivos) e ao filme "O Doador de Memórias" (quando nos é apresentado um mundo monocromático).

De fato, como seres visuais que somos, a influência das imagens sobre nossos comportamentos/reações é tremenda. Seriam então os deficientes visuais de certo modo mais livres do que os demais?

É divertido o quanto um texto pode nos fazer divargar sobre um assunto que leva a outro, e outro, e outro...

Parabéns pela iniciativa diferenciada e bem-vinda, eu verdadeiramente me apeteci com esta leitura!

Atenciosamente,

Um ser que observa as coisas e os humanos apenas com tons enegrecidos, Diablair.

Postado 12/07/16 00:16

Creio não ser culta o suficiente para entender as referências que você mencinou no comentário, mas concordo, somos a todo tempo influênciados pelas imagens e pelo ambiente que nos certa. As pinturas, ou outdoors, propagandas, cartazes, folhetos, etc, nos observam a todo momento de modo a ditar nosso comportamento na sociedade, assim não sendo possível um modo de livrar-se delas. A todo tempo nos deparamos com algo novo, um desenho, uma música, um assunto, a influência visual é tremenda; mas não creio que deficientes visuais estariam de certo modo mais livres, pois também há a questão social e a influência auditiva... Muitas coisas a se pensar.

Obrigada por deixar um comentário tão construtivo em um texto relativamente antigo, e por abrir uma discussão que realmente me pôs a refletir o significado das frases escritas no texto e a sociedade atual. Fico encantada que apreciou tanto assim a leitura! :3

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