Estava de manhã, o sol estava baixo ainda, a sineta da cozinha havia tocado, o que indicava que o desjejum estava servido.
Catherine que estava acordada desde que o sol se levantara, foi á pia e apenas lavou o rosto e prendeu os cabelos com uma fita, desceu as escadas que levavam á cozinha da casa para poder então tomar seu café.
Foi então que o viu, viu o rapaz que tanto a atazanava nos bailes e tacava pequenas pedras em sua janela apenas pelo prazer de perturbar seu sono sagrado.
Estava ali, naquela cozinha, Dante, seu arqui-inimigo.
_ O que este ser repulsivo faz em nossa sala mamãe? _ Catherine quase cuspiu as palavras.
_ Cathy! _ A velha senhora que terminava de arrumar a mesa exclamou descontente _ Não deveria falar assim com seu colega.
_ Mamãe, quantas vezes lhe disse, ele não é nada meu! _ Catherine passou pelo rapaz risonho, que ria apenas de sarcasmo, o ignorando e foi-se sentar á mesa.
_ Não fique tensa senhora Lockwood, Cathy me adora com certeza _ Dante riu acidamente e se sentou de frente para ela, apenas para ve-la vermelha de raiva.
_ Vocês dois ainda vão se acertar, céus, ambos se pertubam desde pequenos, acho que é o destino _ A senhora Lockwood que tomava seu café comentou com um meio riso nos lábios.
Todos estavam rindo de Catherine, e o como ela ficava vermelha.
_ Vocês estão contra mim, é o que parece, mamãe, a senhora sabe o por que nos enfrentamos, ele é um homem inescrupuloso e insensivel _ A moça comentou para a mãe, como se o rapaz não estivesse presente.
_ Olha como ela fala comigo senhora Lockwood, ela me ama mesmo não é? _ O jovem riu mais, adorando aquela cena toda, enquanto tomava seu café.
_ Catherine Lockwood, comporte-se! _ A matriarca e dona da casa ordenou e logo se virou para o rapaz _ E você Dante, quieto e coma!
Ambos, Catherine e Dante se calaram, a furia daquela velha senhora era algo que nem mesmo o diabo poderia testar.
Após o término do desjejum, que foi completamente desagrádavel para a mocinha Cathy, já para o rapazote que a pertubara tanto, era um dia fantastico. A senhora Lockwood tirou a mesa e lavou os pratos com ajuda da empregada Glenda, que ficou calada num canto o tempo todo, desde que os dois jovens começaram a se alfinetar.
_ Bem, senhora Lockwood... _ ia dizendo o moço enquanto se levantava para ir embora.
_ Pode me chamar de Alice, se continuar me chamando de Lockwood, vou lhe chamar pelo sobrenome, senhor Hindley. _ cortou Alice, a mãe.
_ Por Deus! Não o faça _ replicou Dante rindo _ Apenas meu primeiro nome por favor.
_ Cretino desvairado _ murmurou Catherine contra o rapaz, já de pé, encostada na porta, dando ao entender que ele fosse embora logo.
_ Senhora Alice, pode nos dar um minuto a sós, tenho assuntos a tratar com a sua filha, a senhorita Catherine.
_ Oh! _ Se surpreendeu a dona da moradia _ Bem, se és o que deseja, vou para a saleta, falem o que tiverem de falar _ assim, Alice se retirou, e fechou a porta da saleta, deixando a cozinha apenas para os dois jovens.
_ O que quer comigo criatura? _ grasnou Cathy cruzando os braços.
Dante não respondeu, apenas se moveu para o batente da porta, aonde a dama estava e a encurralou ali mesmo, ficando a um palmo de distancia dela, o que fez com que a mesma ficasse com a face rosada de vergonha.
_ Ah Cathy, não notaste ainda? _ riu incredulo o homem _ Eu a quero, quero poder pertuba-la, tirar seu sossego, faze-la rir, quero a ti.
_ Que disparate! _ Catherine colocou os cachos dourados que lhe pendiam na testa atrás da orelha, com os dedos tremulos devido á ansiedade _ Onde já se viu? Me pertubas e viveu a puxar meus cachos e tacar pedriscos na minha janela a vida toda!
_ Ora ! _ agora era Dante quem ficava incredulo _ Nunca leu o que eu escrevia e amarrava nas pedras ?
_ Como? _ questionou a dama _ O que escrevias?
_ Ah, pedidos para que saisse e passeasse comigo, pedidos formais para dançar, piadas, declarações, escrevia-lhe de tudo.
Essa resposta surpreendeu Catherine Lockwood, mas não tanto, pois secretamente amava Dante, amava quando ele a provocava com aquele sorriso maldoso, quando ele a cutucava e depois fingia demencia, tudo nele, o jeito bobo e adoravel e ao mesmo tempo ousado, a agradavam em demasia.
_ Bem, sua cara surpresa já revela tudo, ou quase tudo, só falta a admissão. _ Dante se aproximou mais, perigosamente.
_ Que? Queres que eu admita o que? _ Catherine tentou afastar-se, mas deu de costas com a parede.
_ Que me amas _ O rapaz foi direto.
_ Não! Não vou admitir isto! _ A dama virou o rosto para o lado, em sinal de rejeição.
De repente, ouviu-se um riso, um riso nasal e totalmente adoravel.
_ Do que está rindo homem?! _ Catherine começou então a destribuir tapas no peitoral do homem que continuava a rir.
_ Você já admitiu, quando disse que não admitiria sua boba! _ ele disse entre risos.
_ Seu! _ Catherine se limitou a xinga-lo, não poderia, já não conseguia, pois acabara por rir junto dele, contra sua vontade.
_ Vês? Tu me amas sim, nem brava consegue ficar.
_ Ah Dante, cala-se logo. _ mandou a moça fazendo um rosto furioso, ou tentando faze-lo.
_ Por que não me cala nobre donzela?
Aquela resposta e pergunta tão ousada! Ah, mas Catherine, a loura e bela e ousada Catherine não deixaria barato, então em um impeto de ousadia e fúria, agarrou as lapelas do casaco azul que o moreno vestia, e deu-lhe um beijo, rápido, porém decisivo.
O rapaz retribuiu tamanha ousadia segurando o rosto da moça delicadamente, como se fosse algo quebrável e logo se afastou, pegou teu chapéu, colocou-o sobre os cabelos negros e sorriu matreiro. Havia ganho a guerra, fizera ela o beijar! Então a unica coisa que restou ele fazer foi cumprimenta-la em despedida, e se retirar da casa, com os olhos brilhantes e rindo de orelha á orelha.
Já Catherine, ficou vermelha como um pimentão! Que loucura fizera!
Mas no final ela sorriu, travessa, alisou o longo vestido e arrumou mais os cabelos, e subiu para seu quarto, não sem antes avisar a mãe, Sra Alice, que a conversa dos dois acabara, ao chegar no quarto, viu parada no parapeito, um amontoado de pedrinhas, e nessas estava amarrado, bilhetinhos miúdos, do seu Dante.
Acho que já era hora de le-los, e quem sabe, aceitar um dos convites propostos.
O odiava, mas principalmente o amava.
E como amava!
FIM!