Extraordinariamente Amada
Sabrina Ternura
Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 30/01/19 01:04
Editado: 28/01/24 16:18
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 3min a 4min
Apreciadores: 7
Comentários: 4
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Palavras: 485
Não recomendado para menores de dezoito anos
Notas de Cabeçalho

Salut, pessoal. Como vão? Espero que estejam bem. Bom, se estou aqui nas notas vocês já devem saber que vem um aviso por aí, rs.

AVISO: o texto a seguir aborda um suicídio. Caso os leitores se sintam sensibilizados com tal tema, aconselho que não leiam. Gostaria de complementar que a autora não incentiva o ato ou quaisquer tentativas. Leia e coloque sua conta em risco.

Aviso dado, desejo a todos uma (in)feliz leitura

Música para acompanhar a leitura: https://www.youtube.com/watch?v=-GPaib8Pcj4

Capítulo Único Extraordinariamente Amada

A lâmina deslizou profunda e verticalmente por meu pulso e depois disso restou-me somente o silêncio. A dor que no início pinicava, cessou. A respiração que queimava aos poucos se apagou. Os impulsos para tentar sobreviver diminuíram gradativamente. Tudo ao meu redor se tornou um borrão e os sons se converteram em ecos, mas eu ainda conseguia chorar. As lágrimas eram frias e duras, mas pesadas, pois o peso de minha vida caía juntamente com cada uma delas.

Ao lado de meu corpo, encontrava-se a própria Morte. Ela me encarava como uma mãe que olha seu filho pela primeira vez. O olhar calmo e avaliador daquela forma não me assustava, mas de alguma maneira acalentava meu espírito. De repente, em meio ao caos silencioso ao meu redor e minha aceitação em ser levada, ouço-a dizer:

— Não, criança, ainda não é sua hora. Negocie com seu corpo para encontrar forças e sobreviva, pois seu destino é ser salva e extraordinariamente amada.

A Morte desaparece e, subitamente, minha vida passa diante de meus olhos. Dizem que isso só acontece quando você está prestes a morrer, mas naquele momento descobri que, na verdade, a vida passa diante de nossos olhos quando o coração grita desesperadamente por ela. E naquele instante, meu coração não batia, mas sim saltava. Quero viver para te ver mais uma vez, era tudo o que eu conseguia pensar.

O banheiro voltou a tomar forma, assim como os sons ao redor. Minha mente me bombardeava com lembranças nossas e ao meu lado, podia ver a tela do celular brilhando com uma chamada sua ativa. Precisava me despedir, penso, mas como dizer adeus a você?

A nossa casa era enorme, mas ainda assim eu podia ouvir ao fundo o som da sirene de uma ambulância e… a sua voz me chamando no andar de baixo, enquanto todas as portas eram abertas com violência. Minha voz não saía e um desespero se apossou de mim, pois queria viver para entender o que é ser extraordinariamente amada. Minha garganta estava fechada e minha alma me alertava que se eu não reagisse rápido, meus últimos segundos dados de presente, seriam desperdiçados.

Neste instante, as palavras da Morte são sopradas em meu ouvido, misturadas com seus gritos desesperados. Respiro fundo e peço uma última vez ao meu corpo ajuda, mas não para morrer, e sim para viver.

— AQUI! — É tudo o que consigo gritar, com todas as forças que não possuo.

E antes que o mundo se apagasse, você surge diante de meus olhos, como se fosse o próprio Sol iluminando a noite mais escura.

— Está tudo bem agora — Ouço você dizer ofegante, enquanto me pega no colo e corre para fora da casa, para que eu seja socorrida — Estou aqui, meu amor. Vou te salvar.

E meus olhos se fecharam, enquanto meu coração se aqueceu e sorriu.

Sim, digo para mim mesma, você me salvou com o seu amor.

❖❖❖
Notas de Rodapé

Opa, alguém chegou aqui? rs

Enfim, quero informá-los que este texto foi retirado de uma história muito antiga que escrevi aos 14 anos. Infelizmente, esse foi o único capítulo que sobrou, por isso vocês podem ler e sentir algumas pontas soltas. Por isso, quero deixar aqui um breve esclarecimento: a narradora era a protagonista da história e possuía depressão. Ela se casou com Edward, um psiquiatra extremamente devoto e apaixonado por ela. Após um aborto ter acontecido, o quadro de Helena se agravou, deixando-a angustiada e perdida. Em seus pensamentos, ela havia falhado como esposa e como mãe. Por não conseguir lidar com seus próprios sentimentos, ela tenta tirar a própria vida no único momento que o marido a deixa só (ele vai ao mercado fazer compras). Antes de realizar o ato, ela liga para ele e se despede. Edward comunica a emergência e vai salvá-la. O que veio depois disto, se não me falha a memória, foi um epílogo contando sobre o casal depois de dois anos a este acontecimento. Eles tiveram gêmeos e permaneceram juntos, porque o amor de ambos não sucumbiu a adversidade. No fim, Helena entende o significado das palavras da Morte e descobre o que é ser extraordinariamente amada.

Lembrem-se: vocês são importantes, não estão sozinhos e são extraordinariamente amados!

Beijinhos da T.

Apreciadores (7)
Comentários (4)
Comentário Favorito
Postado 30/01/19 20:01

Não sei se isso foi uma romantização do suicidio, se foi uma nota de prevenção ao, ou se o certo é ler de trás pra frente, porque você conseguiu descontruir um conceito pessimista e o resignificou com uma história criativa e esperançosa. Adorei! E realmente, é visível que isso foi retirado de algo muito maior. Parabéns, mais uma carta de amor pra gente!

Postado 01/02/19 00:12

Fico feliz que tenha gostado!

Obrigada, moço

Postado 30/01/19 14:26

O texto foi lindo, muito bem escrito sobre os sentimentos da personagem. Suicídio é um tema muito sensível pra mim, mas a nota final foi super positiva e deixou meu coração mais leve.

Parabéns pela história e pela mensagem tão bonita no final. De fato, apenas o Amor salva =)

XOXO,

KM

Postado 01/02/19 00:11

Obrigada, moça

Postado 30/07/20 11:58

Que texto!!!

É uma pena que a história completa tenha se perdido, pois eu adoraria lê-la depois de ter visto a explicação no final.

É um tema forte, que você soube tratar tão bem, com a sensibilidade e respeito que merece.

Acho que não há nada que você tenha escrito que não seja maravilhoso e que me aqueça o coração ao ler!

Abraços! Abraços!

Postado 30/07/20 22:51

Será que um dia vou conseguir resgatar essa história na minha mente? Espero que sim!

Obrigada, querida! ♥

Postado 10/08/20 22:17

Eu já posso dizer que fui fortemente iludida? Não seria errado, né? Eu espero que não.

Depois que Morte falou, eu pensei que estava lendo errado. Foi tão genial que eu nem acreditei (idiotice a minha, afinal, tudo que você escreve é genial).

Minha Brina desde sempre mostrando que não veio para brincadeiras. Diva além da conta.

Fiquei encantada com o texto, que na verdade é um capítulo (eu entendi certo, né?). Espero, apoio e vou dar uma de Mei - fazer petição - para a Sabrina de hoje escrever a história do começo ao fim. Amém!

Parabéns!

Postado 12/08/20 16:41

Entendeu certo, sim, amore! Fico feliz que tenha gostado.

Obrigada, Flavinha

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