Meus passos pela casa não faziam barulho, embora fossem pesados, e eu não faço a mínima ideia de como meus pés sustentavam o peso do meu próprio corpo. Eu sentia como se estivesse em piloto automático, perdida em meus pensamentos. Na verdade, era como se eu quisesse me livrar do que pensava, mas não conseguia. Quando os fantasmas do meu passado deixariam de me perturbar? Quando eu poderia ter paz? Existe um lugar onde ninguém pode me alcançar. Sou intangível, perfeita entre todos os pedaços em que me desfiz, e eu choro em cada momento em que imagino que posso perder você. Perder-te é como perder a mim mesma. Em que momento, afinal, você apareceu e fez tudo parecer ser possível? Se eu pudesse desejaria que você chegasse para não mais partir, mas preciso aprender a querer o que as pessoas podem dar, e te prender seria como cortar tua liberdade. Se eu soubesse voar, gostaria de te acompanhar pelos céus. Um dia, espero que meus limites sejam superados, e até esse dia, estarei te observando daqui. Minhas asas pesam, e eu sinto dor a cada tentativa de tirar os pés do chão. Eu não desisto, apesar de querer. E muito. Sinto o gosto salgado das lágrimas que escorrem pelo meu rosto. Lembro-me de como sou falha, e de como minha forma de amar parece um caos. No momento, estou quebrada demais para fazer a coisa certa. Meu amor, até quando você pode suportar e voar sem partir para sempre?