No amor mais utópico que eu possa imaginar,
Viveríamos de títulos e escritores.
Eu gritaria: O Cortiço!
E discutiríamos as mazelas da sociedade.
Tu me dirias 'Dom Casmurro'
E eu juraria jamais de ti desconfiar.
Eu te sussurraria Marília e Dirceu
E nos amaríamos pelo breu da noite.
Por fim, me dirias Drummond,
Eu retrucaria: Quintana!
Tu brandas: Pessoa!
Sorrio aos passarinhos, Amado.
Com brigas ou em paz.
De todos os escritores e escritos,
Escrevemos-nos no papel,
Mas nos distorcemos pelo vão,
O eterno é sempre mais duradouro
Quando falta tinta para o final,
Quando se pinta, feito aquarela, o estático,
A vida nos impõe movimento
E de modo inerente,
Cabe a nós nos encantarmos
Desprezando nosso inevitável perecimento.