Fechou a porta e esperou, esperou por alguém no mesmo cômodo disposto a ajuda-lo, mas logo percebeu que estava sozinho. Assim como a porta, fechou os olhos, numa tentativa de se proteger, caso a porta fosse insuficiente para trancar o mal. Contudo, que mal era esse, se perguntava. Balançou a cabeça e num instante se via num outro lugar. Colorido, diferente do anterior, composto por escuridão covarde. O lugar era aconchegante, sentia-se mais relaxado e leve. Porém, era confuso, aonde estava? E então, num piscar de olhos, não se lembrava de coisa alguma, como se a passagem da memória tivesse sido bloqueada pela felicidade. Que felicidade? Isso é felicidade? A decepção percorreu seu corpo.
Pensava que a felicidade era algo mais puro, e não manipulador. Como assim manipulador? Sentia-se estranho. Questionava tudo o que vinha a sua cabeça que por um período curto de tempo parecia coerente. Naquele momento nada mais fazia sentido, nem seu corpo, sua alma, o que sentia. Alguma coisa o impedia de sentir. O colorido, a sensação de “tudo está bem” que esquentava seu coração enquanto estava em meio a “felicidade”. Percebeu então, que aquilo não era real. Aquilo que o fizera finalmente abrir os olhos era uma farsa que estava acabando com sua vida, mais que a escuridão. Como eu volto a ser eu? Já era tarde demais. Como um papel se queimando o cenário que era seu horizonte foi se despedaçando. Era tudo uma farsa. Lembrou-se então do passado. Porém dessa vez era diferente aonde se encontrava, estava preso, e desaparecendo. Chorou, lembrou-se de tudo. O tempo acabou, agora é tarde demais. Ele somente queria ser feliz, e você? Você é feliz?