Em meu escritório, as luzes apagadas e a música tocando ao fundo, lenta e com o volume baixo. As cortinas estão fechadas e o único feixe de luz que ilumina o local é a que sai por debaixo dos tecidos finos. Estou sentada numa poltrona confortável com uma xícara em minhas mãos, os olhos fechados e prestando atenção no som da chuva lá fora, tentando relaxar do dia cansativo que tive.
Sinto uma mão fria passear pelo meu pescoço, sobressalto assustada e olho para trás, volto a ficar tranquila novamente, recebendo um sorriso em resposta.
Ela me faz sentar novamente na cadeira e se estica pra desfazer o meu coque, “Você fica bem mais bonita de cabelo solto”, quase não consigo escutar o que ela diz, também não tenho tempo de responder ao elogio. Sou surpreendida com um beijo no pescoço, I Put A Spell On You começa a tocar e eu me arrepio instantaneamente, “Eu adoro essa música, você não?”, mais uma vez eu não consigo responder e recebo mais um beijo. A mão que já não está tão fria tira o meu robe de cetim expondo meu conjunto de renda, não consigo me mexer e tenho a sensação de que eu não vou conseguir soltar nenhuma palavra agora, mas alguns suspiros até o final dessa noite.
Puxo a cintura da bela moça que está em minha frente, afasto as mechas escuras que cobrem o seu rosto e finalmente tenho voz para lhe perguntar; “Quais são os seus planos para hoje à noite?”, recebo minha resposta imediatamente, um beijo desesperado e uma mão que faz um tour por todo meu corpo, sem restrições e sem vergonha. Durante todo o processo das roupas sendo tiradas do corpo e jogadas no chão do escritório, o que era pra ser uma noite calma acaba se tornando uma agitação insana.
Já não sei onde foi parar a xicara de chá, a faixa da musica muda pra uma mais agitada, dance conforme a musica se é que me entende. Meu lingerie foi parar na estante de livros e o ar condicionado parece não funcionar mais, não sei como isso aconteceu, mais estou deitada num tapete macio, desconfio ser a sala de estar. Esse é um daqueles momentos em que você para e pensa; “nada como uma noite de descanso no meu escritório”.