Penso que abandonei os entusiasmos de outrora. Ou talvez ainda os guarde em qualquer lugar, em um calabouço algo escondido, um tanto secreto para mim mesmo, onde os possa torturar sem sequer saber, fazê-los ver e sentir, lamentarem sobre os acontecimentos que deixo passar, sobre as vitórias ou derrotas que faz muito se tornaram tão indiferentes, tão iguais, tão inúteis: sobre as lembranças daquilo que em outros tempos poderia ao menos ter desejado ser, ou acreditado que ainda poderia desejar.