A cidade late e nós tropeçamos novamente
somos culpados pelos buracos na calçada,
o silêncio tempestuoso ainda uiva em cada rua
quanto tempo faz que não enxergamos nossa alma nua?
Nadaremos por todos os formatos de solidões desastrosas
arremessando pratos;
sufocando no peito daqueles que amamos
pois não há volta
não há saída,
não há adrenalina que não possa ser atingida
quando estamos embebidos de coragem pífia
que nos faz sentir como migalhas de estrelas que já caíram dos céus
Você me tem em cada confusão desastrosa que eu invento
e continua se inquietando com a minha quietude.
talvez sejamos diferentes demais para o amor
talvez a lua prefira iluminar nossos passados
talvez nossas mãos não se encaixem,
apenas sequestrem uma a outra;
talvez cada dia que pensamos em fazer sucesso
seja um pequeno e nítido fracasso absoluto
é que tudo muda tão rápido...
como imaginaríamos que o mau habita nossa casa
sendo que, acabamos de abrir o portão?
será que continuaremos pisoteando a cabeça um do outro
enquanto as memórias sempre atuarão como pegadas,
como uma pista:
de todo o mau que já praticamos
e de todo o bem com o qual algum dia poderemos temperar os dentes que sorriem?
somos pisoteadores
pintores de parede
atores desastrosos
apaixonados por nós mesmos
seus ouvidos ainda sangram quando eu me calo
em minha mente habita uma musicista surda
não sou capaz de gritar durante tragédias
não sou capaz de desferir golpes certeiros
em quem agarra minha fraqueza e a arrasta até a luz
talvez eu ame um pouco muito demais
tudo que acontece nesta cidade nada popular
talvez eu deteste tudo e muito mais
quando minha visão borra
por eu não conseguir parar de chorar
eu estou cansada.
a vida é um eterno grande e último suspirar.