Is Gone
True Diablair
Tipo: Lírico
Postado: 08/02/18 03:09
Editado: 28/06/18 23:01
Gênero(s): Poema Reflexivo
Avaliação: 9.67
Tempo de Leitura: 1min a 2min
Apreciadores: 5
Comentários: 3
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Palavras: 292
Livre para todos os públicos
Notas de Cabeçalho

https://youtu.be/2U7xjHlEGsU

Capítulo Único Is Gone

Não havia mais ninguém no recinto

Quando ele se manifestou de súbito

Pois enquanto os demais dormiam

Ele permanecia acordado na escuridão

Sozinho.

Desde sempre foi assim. Exceto que...

Existia algo a mais ou a menos

Ocorrendo em seu âmago sombrio.

Contemplou tudo o que construiu

E o que ele próprio se tornara

Ao longo do tempo em que permaneceu

Usufruindo de todo aquele espaço

Que agora parecia-lhe desconhecido.

Cansaço? Desprezo? Apatia?

Não sabia. Só... Sentia

(Aquilo)

(A Doença?)

Como centenas de vermes se banqueteando

De uma alma e um coração

Em plena decomposição.

Não que tal sensação

Fizesse para outrem qualquer sentido:

Havia algo errado dentro de si

E não era culpa de ninguém;

Talvez, nem de si mesmo.

Olhou para aquele local

Que costumava ser um refúgio

E não encontrava mais seu lugar

Ali.

Fitou cada imagem dos semblantes

Que antes lhe pareciam próximos

E não conseguia mais reconhecer

Ninguém.

Encarou suas criações, uma centena delas,

E ao fazê-lo não conseguiu sentir mais

Nada.

Toda aquela carnificina e depravação

Outrora motivo de orgulho e celebração

Não lhe rendia mais uma pulsação

Sequer.

O desejo de silêncio, de distância, de abandono

Era tão dominante que parecia sempre ter estado lá,

Sussurrando como um velho demônio em seu ouvido

Tão eloquente,

Tão... Convincente.

Lembrou das promessas que fez

E percebeu que seria incapaz de cumprir

Todavia, o pior foi conceber

Que realmente não mais se importava

E que nem mesmo isso o demoveria:

Afastando-se de vez de seu reduto,

Encobriu tudo o que fizera com trevas

(As mesmas que vicejavam em su'alma)

Deixando uma única criação

(Última),

Abandonou seu Título

(Que nunca de fato almejou)

E apenas foi embora

(Sem olhar para trás):

O Inferno o aguardava

(Faminto e de braços abertos).

❖❖❖
Notas de Rodapé

.

Apreciadores (5)
Comentários (3)
Comentário Favorito
Postado 09/02/18 17:14

Depois da morte, creio que o sentimento de abandono/desprezo seja a pior coisa que alguém pode lidar. Afinal, não existe para onde mais correr ou um abrigo para ter conforto. Apenas há um enorme vazio - uma intensa profundidade sem fim, onde o prazer pelas coisas tão amadas, se perdem; e o desejo de permanecer, se esvai.

O eu-lírico deixa claro suas intenções e expressa sem nenhum remorso, sua partida. Acho que quem vai, nunca sofre tanto quanto quem fica. Mas essa é a vida e suas diversas formas de nos foder.

É sempre adorável ter sua presença por aqui, meu estimado amigo. Parabéns por essa obra ❤

Postado 20/02/18 20:37

Talvez eu tenha imaginado coisas além ou talvez as coisas que tenham me imaginado.

Não sei exatamente o que dizer ou como colocar o meu ponto de vista aqui, então vou apenas dizer obrigada e parabéns...

É isso. .-.

Postado 01/04/18 18:36

Obrigado.

Postado 22/03/18 13:54

Gostei muito do poema. Tão bonito e tão... Melancólico. Não sei porque, mas foram essas as sensações que ele me proporcionou. Não sou muito de ler poemas, mas gostei muito desse! Está de parábens!

Postado 01/04/18 18:38

Muito obrigado pela gentileza e elogios de seu comentário, Srta Mi. Foi um belo presente de despedida a ser recebido.

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