Como é o Papai Noel, Sila?
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Tipo: Conto ou Crônica
Postado: 22/12/17 03:46
Editado: 22/12/17 13:50
Avaliação: Não avaliado
Tempo de Leitura: 8min a 10min
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Notas de Cabeçalho

Isso não é uma história de terror.

Capítulo Único Como é o Papai Noel, Sila?

Sobre a margem da janela, cabiam quatro cotovelos: dois de Arti e dois de Sila. Os irmãos gêmeos, um menino e uma menina, conversavam sob o céu já azul-escuro quase preto. “Sila, veja o quanto o Papai Noel deixa bonita a noite de 25 de dezembro. Olhe para o céu!”, disse Arti à irmãzinha, “O quê? As estrelas?”, ela respondeu, “Não são estrelas, Sila, são pisca-piscas de natal, e é o próprio Papai Noel que os pendura, amarrando uma ponta na lua lá em cima e outra no sol, que agora está no Japão, LÁ embaixo”, explicou Arti, “Uau”, mais milhares de pisca-piscas ligaram-se nos olhos dela nesse momento.

A casa estava decorada por fora com pisca-piscas percorrendo por todos os lados, contornando as janelas e terminando na pequena varanda quadrada, norteando a porta da frente. Dentro, somente uma árvore de natal, maior que a convencional na verdade, com um pequeno presépio ao lado. Sila, a mais nova, brincava com o bonequinho de porcelana do recém-nascido Jesus Cristo, até seu pai a pegar no colo e deitá-la na cama de cima do beliche que dividia com o irmão, o qual reparava, através da sua retangular janelinha particular, como a lua crescente no céu lembrava um trenó pra ele.

Assim que o primeiro pisca-pisca pareceu falhar e a lua firmou-se exatamente no meio do breu, Arti viu um raio de luz voar perto da sua janela particular quase que o cegando. O vidro faiscou nos olhos dele e se tornou quente ao toque do menino quando este foi se apoiar às cegas, tão quente que o menino deixou um grito ecoar pelas quatro quinas do quarto, e pelos ouvidos da irmãzinha, a qual acordou de imediato. “Papai Noel!”, foi a primeira coisa que fugiu da boca de Sila depois de ser despertada involuntariamente, “O quê?”, indagou Arti, e logo virou os olhos para o relógio digital no balcão encostado à cama: era meia noite. “Papai Noel”.

“Fique aí”, disse Arti, como o irmão mandão que era, para Sila, “e em silêncio”. A irmãzinha ficou ajoelhada no colchão de cima com as mãos segurando um pequeno corrimão de ferro que impedia ela de rolar um pouco mais pro lado e quebrar a cabeça no chão de noite, uma ideia muito eficiente da mãe. “Não abra meu presente”, disse ela baixinho o suficiente para Arti ouvir e os pais não, o irmão mais velho fez shhh com a boca e dobrou para o corredor. Não havia pisca-piscas no corredor nem depois do corredor para ajudar na iluminação do caminho, e naquela época não tinham inventado as lanternas dos celulares, muito menos os celulares. Arti, com a atenção e o foco que conseguia manter por muito mais tempo que o convencional, ouviu confusos ruídos intercalados e desejou que fosse mesmo o Papai Noel e não o seu típico papai, como seus amigos o disseram um dia. Na vez que Arti se pôs a espiar, da aresta da porta, a sala com a árvore de natal, ele deparou-se com uma figura que parecia mais uma rena do trenó do que o próprio Papai Noel: com a silhueta contornada pelas luzes dos pisca-piscas, a sua fisionomia era magra e saliente, ossuda quase que afiada; pela silhueta negra, com uma estranha luz a destacando de trás, o cabelo parecia longo e parecia usar uma espécie de manto quando Arti prestou mais atenção. Arti demorou a assimilar o que rondava pela sua sala mal enfeitada, mas, logo que seu senso de urgência acordou, ele disparou de volta ao quarto onde jazia Sila. A irmã permanecia estática em cima do beliche. Arti entrou correndo pela porta, “Sila, Sila, Sila”, disse o irmão ofegante perto de balbuciar, “O quê, o quê?”, ela perguntou rápido porque queria a resposta rápido, Arti tomou um tempo para recuperar um pouco de ar antes de continuar, “Como é o Papai Noel, Sila?”, ”O quê? Por que vo...”, “RESPONDA! RÁPIDO!”, “Ah...Ah....Pelo o que o papai me contou, ele é gordinho, barbudo e usa uma roupa toda vermelha com um cinto branco...Ah! E ele usa um chapéu...Não, Não, um chapéu não, um GORRO DE NATAL!”, finalizou a irmã. Arti, ainda recostado na porta, pausou para escolher as palavras mais diretas para Sila entender, “Então não foi o Papai Noel o que eu vi.”. Aquele era o fim do natal pros irmãos.

Depois do que Arti disse, o irmão mais velho subiu a escadinha do beliche e ficou abraçado com a irmã por alguns minutos na cama de cima, até eles ouvirem a voz mais afinada e perfeita de todos os mundos. Ela estava cantando uma composição musical que se podia ouvir pelos cinco sentidos do corpo, de tão maravilhosa que era, e estava vindo da sua sala. Os irmãos não resistiram, na verdade, ninguém resistiu. Todos os cristãos jornadearam em direção à casa de Arti e Sila. O bairro deles dali em diante seria a Meca cristã, e a sua casa a Caaba. Quando todas as almas que conservavam dentro de si sequer um pingo do espírito natalino estavam ao redor do pinheiro de natal dos irmãos, a figura sombria que Arti tinha visto antes revelou ser Jesus Cristo, o Seu Filho, e distribuiu presentes a todos, enquanto falava com um tom de voz baixo, limpo e equilibrado, quase severo, algo que todos escutaram minuciosamente:

- Espalhar o amor, o afeto e a união sempre foi rudimentar para Ele e para Mim. Todavia, Ele sabia, e Eu sabia que com nossos nomes não seriam todos, como sempre quisemos, que nos seguiriam nessa missão de propagar a irmandade e a paz. À vista disto, Ele e Eu nos tornamos a figura do Papai Noel, que sempre visou unificar todos os diferentes pontos de vista por apenas uma noite de festa e comemoração. Desde os primórdios deste feriado, fui eu quem entregou os presentes a todas as crianças. Exatamente por isso que nunca ninguém viu o Papai Noel, porque ele nunca existiu fisicamente. Vocês acham mesmo que um velho acima do peso caberia e DESCERIA por uma chaminé? – todos gargalharam genuinamente – Enfim – Jesus também riu um pouco e seguiu com o Seu sorriso – Venho-lhes avisar que nosso festival continuará para sempre do jeito que sempre foi, e que nos veremos da próxima vez que eu me deixar ser visto por alguma criança curiosa. Tenham todos um Feliz natal! – disse Ele rindo pouco, só que uma risada verdadeira e que todos gostaram de ouvir.

Após Jesus Cristo cessar sua fala e todos voltarem às suas devidas casas, Ele caminhou em direção a Arti e Sila, que já estavam em casa; o irmão presenteou Jesus Cristo com um biscoito e um copo de leite; a irmã o presenteou com o boneco do Jesus recém-nascido do presépio. Não era ouro, incenso e mirra, mas era o que tinha. Os três sentaram-se sob o pinheiro e conversaram:

- Sabe, Arti, você está certo. – disse Jesus.

- Sobre o quê? – questionou Arti.

- Sobre as luzes no céu, são pisca-piscas mesmo – Jesus riu alegre.

- Pisca-piscas tipo os da árvore de natal? – agora a pergunta advinha de Sila, a mais nova.

- Exatamente como os da árvore de natal, Sila – respondeu Jesus Cristo – Aliás, o pinheiro de natal é uma representação perfeita do céu, particularmente do céu sob o qual nasci, sabiam?

- Sério? – Indagaram os dois irmãos em uníssono.

- Sério. Se você puser o presépio de baixo da árvore pra mim, Sila, será melhor pra eu explicar. – foi o que Sila fez de súbito. Não era todo dia que Jesus te pedia um favor pessoalmente. – Vejam, o presépio vai embaixo, que representa o cenário onde nasci, junto aos presentes, que simbolizam, obviamente, os presentes dos Três Reis Magos. Acima, estão os pisca-piscas retratando as Estrelas daquela noite, e, mais pra cima ainda, é onde é posta a estrela, que significa a Estrela De Belém.

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Postado 09/01/18 22:24 Editado 09/01/18 22:26

Isso foi realmente lindo e bem escrito! Me faz lembrar os livretos cristãos de Natal que eu vivia lendo quando criança, isso aqueceu meu coração.

Foi a primeira obra que eu li aqui no site que fala sobre Jesus, sobre quem é o nosso Papai Noel real, sobre o real significado do Natal, sobre o único amor que nunca acaba.

Muito encantador! Foi lindo ler isto! Parabéns!

E sobre a representação da árvore de Natal: eu adoraria que todos levassem este como o real significado! O presépio pequenino lá embaixo... As luzes... A GRANDE ESTRELA guiando... Lindo!

Postado 02/02/18 16:53 Editado 02/02/18 16:56

Hahaha Nossas opiniões combinam muito. Sempre respeito as outras visões que autores mais pessimistas dão ao Natal, mas particularmente eles inconscientemente acabam desbalanceado o real significado que é o amor e consolidando mais a tragicidade , quase impietuosamente, que n tem nada a ver com 25 de dezembro. Se forem tratar do terror no Natal, que escrevam sobre a situação do peru na ceia!!

Perdão pela demora de responder, fique sabendo que cada comentário que recebo é uma vibração no meu coração e q amo todos que lêem meus textos, mesmo q n sejam muitos, mas n me vitimizo por isso kkk

Postado 31/01/18 02:04

Um bom texto.

Parabéns!

Postado 02/02/18 16:43

Obrigado!! De você seu elogio sempre vale muito mais pra mim que pros outros autores pros quais comenta!

Postado 22/04/19 22:12

Que obra deslumbrante!