Embora estivesse em um local facilmente considerável muito bonito e sereno, Engel parecia inquieta. Ela observava seu reflexo nas águas cristalinas daquele pequeno lago nas profundezas da floresta, ajeitando sua longa e encaracolada cabeleira loira de modo inocente. Reparou em seu corpo, naquelas formas tão delicadas e ainda assim provocantes o bastante para enlouquecer qualquer pessoa que a fitasse. A roupa, basicamente uma toga branca, era tão alva que faria qualquer outra coisa de parecida tonalidade parecer suja; deixava a jovem com um aspecto de pureza imaculada, ainda que as curvas ali ocultas pudessem facilmente sugerir o oposto.
Engel era um espetáculo para os olhos, uma promessa de felicidade, um sonho encarnado. Um Anjo.
Talvez por isso mesmo ela não conseguiu evitar o leve arrepio que sentiu quando a superfície do lago começou a borbulhar e se converter em sangue na medida em que alguma coisa saía de seu interior. Não demorou muito para que uma criatura humanóide, desnuda, dotada de um par assustador par de chifres, asas de couro e pele escarlate cheia de escarificações, corpo massivo cheirando a enxofre e estatura bem maior que a dela emergisse do local.
A face horrenda e o tipo de manifestação não deixara dúvidas: era um perigoso, poderoso e autêntico Demônio.
- B-Belphegor... - sussurrou a garota angelical, aninhando a si mesma em suas lindas asas repletas de plumas cor-de-neve.
- Por que me invocaste? - Indagou a monstruosidade com certa rispidez enquanto mexia a ponta sua longa e robusta cauda dentro do lago. Seu olhar fulminava a ouvinte trêmula diante de si.
- Por favor, não te ires tanto comigo... Eu só... - ela hesitou por um segundo enquanto adejava para mais perto do monstro. - Estava com saudades demais de ti. De nós. - a mão dela pousou levemente no peitoral estufado do seu affair, que não pôde conter o calafrio e a subsequente ereção que o vitimaram.
- BELPH! - exclamou em genuíno rubor a loira ao sentir aquele pênis se erguer com tamanha rapidez e força que a ponta do mesmo acabou levantando a aba de sua toga e expondo sua vagina de pelugem dourada. - EU NÃO ESTAVA FALANDO DESSE TIPO DE...! - a garota chegou a tapar o rosto de vergonha por alguns segundos, embora tenha deixado uma fresta entre os dedos para continuar olhando aquilo.
O Demônio gargalhou, rapidamente segurando a jovem pelo quadril e a colando junto do seu corpanzil, desfazendo aquela infantil máscara manual no processo. Os lábios de ambos se encontraram em um beijo meio esquisito, pois ele era um pouco rude e ela tanto bondosa. Ela sentiu o membro endurecer ainda mais quando ela acabou apanhando-o com timidez por entre suas asas.
- Agora sabes o tamanho de minha saudade também! - provocou o Demônio com um sussurro ao pé do ouvido dela. - E todo este risco de estarmos aqui e agora só me deixam mais faminto por ti.. - com um só gesto a toga foi despedaçada, mas havia inúmeras penas encobrindo toda a exuberante nudez da garota.
- Tu depravaste meu coração, Belph... - confessou a loira, fingindo se afastar dele em um pequeno salto. - E eu não me importo de "sujar" minh'alma contigo. - sentenciou em seguida, abrindo as asas e revelando um corpo absolutamente perfeito e desejoso.
- E nem eu de talvez ter a minha limpa por ti, Engel, já que ao meu coração covardemente roubarias se eu o tivesse. - rebateu a criatura, saltando de encontro a sua amante e tornando a beijá-la.
Vergonha e volúpia se uniram enquanto ambos faziam dos beijos e abraços as mais completas declarações enquanto voavam entre e sobre as árvores. Naquele local místico, Céu ou Inferno só tinham autoridade ou visibilidade em certos períodos do dia e da noite. E nem Aquele-Acima ou Aquele-Abaixo poderiam impedir que o casal-Tabu se amasse livre e loucamente.
Não demorou para que mãos e bocas tomassem rumos mais ousados, guiados pela miríade de sentimentos e sensações que eram gerados e compartilhados pelo casal tão oposto que se complementava perfeitamente. Gemidos e bramidos, malícia e carinho, a Luz e as Trevas: era impossível resistir. Então Anjo e Demônio simplesmente se entregaram um ao outro sem mais restrições conforme desciam rumo ao solo e faziam dele sua cama.
Em uma manobra ousada, a criatura do Inferno girou o corpo cento e oitenta graus, ficando com a face rente à vulva delicada de jovem. Com efeito, a língua comprida e bifurcada de Berphegor invadiu o sexo de Engel sem qualquer ressalva, arrancando-lhe um grito e uma lágrima que eram um misto gracioso de dor e prazer. A sensação áspera, úmida e deveras aquecida do orgão movendo-se de forma voraz em suas paredes vaginais fazia Engel remexer o quadril e preencher a clareira com gemidos altos cujo timbre ressoava deliciosamente promíscuo aos ouvidos do demônio. Ela em vão tentava se libertar das garras da criatura, embora ambos sentissem que os esforços dela não eram intensos o suficiente para tal ato.
A verdadeira intensidade estava nas batidas dos corações de ambos conforme a profanação de Belphegor deixava Engel cada vez mais molhada e a graciosidade dos gemidos dela o deixavam cada vez mais louco de tesão, ao ponto de seu pênis pulsar e doer de tão duro. E foi exatamente neste momento que a mulher angelical abocanhou o falo demoníaco com um misto tão perfeito de ternura e desejo que fez seu affair chicotear o chão com a cauda. O som assustou Engel, fazendo-a contraír a vagina involuntariamente, gerando ainda mais prazer para ambos.
A felação mútua continuou por um tempo que faria reles mortais terem cãimbras ou orgasmos, mas para aqueles dois era só um delicioso preparativo para algo ainda melhor/pior. Belphegor deu um tratamento um tanto selvagem ao clitóris da parceira, mas sabia muito bem que era assim mesmo que ela gostava e queria. Já Engel lambia e chupava aquele pênis inchado e sutilmente encaroçado de maneira praticamente pueril enquanto acariciava o saco escrotal, o que deixava seu parceiro louco: a temperatura do local ficando mais alta era prova cabal disso.
- Engel...! - murmurou o demônio com sua voz assustadora e atraente ao parar de degustar a vagina de sua parceira e envolver-lhe a cintura com sua poderosa cauda. - Quero-te... E quero agora!
- Eu já sou tua, Belph... - exclamou a mulher em pleno deleite enquanto seu corpo era erguido e girado de modo a ficar na mesma posição que seu amante, porém sobre ele. - Eu sou toda tua... - ela tremia de ansiedade enquanto sua vagina encharcada tangenciava e umedecia a glande daquele falo satânico.
Ao ouvir isso, Belphegor foi fazendo o corpo pequeno e delicado da loira descer de encontro ao seu membro. Os olhos de Engel se arregalaram enquanto ela mordia os lábios com resignação e satisfação ao sentir sua vagina se dilatando para receber cada centímetro ardente daquela coisa que a penetrava. Uma onda de prazer varreu os sentidos de ambos quando o segundo ato mais vil e gostoso do Universo se concretizou: um demônio e um anjo se unindo através da cópula. Imediatamente a criatura maligna prendeu um dos braços da sua parceira e torceu para trás das costas dela enquanto a outra mão passeava maldosamente por seus seios e bunda. A cauda subia e descia, ditando o ritmo da penetração e impedindo Engel de fugir.
Não que ela quisesse. Não... Nunca!
A garota arfava e até chorava um pouquinho, mas seu quadril remexia de modo vagaroso entre cada movimento enquanto beijava amorosamente o rosto horrendo de seu parceiro e acariciava seus chifres, fazendo-o se arrepiar com todo aquele o carinho. Engel foi deslizando a mão livre até a de Belphegor, tentando entrelaçar os dedos dela nos dele... E o Demônio deixou.
Blasfêmia consentida e internamente desejada...
Nessa hora Belphegor emitiu um som gutural e acelerou as estocadas, fazendo Engel gritar e deitar o corpo macio sobre o dele. A cauda não mais a suspendia e descendia: agora era a garota quem imitava o amante e se movia de modo célere para cima e para baixo, preenchendo o ambiente com o ruído indecente de seu sexo indo de encontro ao dele. O calor corporal de Belphegor estava altíssimo, o que a deixava ainda mais incendiada. Já a inacreditável maciez de Engel e seu aroma divino era demasiado inibriantes para o Demônio. Não poderia haver combinação mais bizarra e perfeita do que aquela. Entre beijos e mordiscos, carícias e arranhões, suor e lágrimas, fogo e luz, eles estavam atingindo um inexorável orgasmo juntos.
Jatos mais quentes que o magma começaram a ser expelidos com potência e em quantidade dentro de Engel, enquanto uma aura mais brilhante que um raio de Sol emanava do corpo dela, banhando o corpo de Belphegor por completo. O local foi tomado por tremores de terra, como se o próprio solo participasse de toda aquela loucura. E no ápice do indescritível prazer que os tomava, o olhar em chamas dele se encontrou com a radiância do dela, cada qual vendo o reflexo do mundo um do outro dando lugar a um único local: o Paraíso deles.
Deles e tão somente deles.
Desfalecido, o casal ficou quieto por um longo tempo ali mesmo no chão, o membro ainda intusmecido do demônio recebendo uma ou outra contração vaginal enquanto a loira ouvia algo semelhante ao crepidar de chamas vindo de dentro do peitoral de seu amado: era o coração dele batendo disparado.
- Eu te amo tanto, Belph... - ela exclamou com toda a vontade e sinceridade de sua alma, abraçando-o ainda mais.
- Demônios são incapazes de amar. - murmurou Belphegor com um tom de voz peculiar, bem menos severo que o habitual. - Sabes o que isso significa, Engel? - ele questinou olhando fixamente para o céu, como se pudesse (ou quisesse) ver algo além.
- Que tu não me amas...? - arriscou a garota, deixando a cabeleira loira ocultar uma lágrima que escapava de seus olhos sem íris.
- Não, sua tola... - repreendeu-a com um beliscão na bunda que a fez ter outra nova e gostosa contração em torno do falo que novamente se enrijecia dentro da jovem alada. - Significa que provavelmente eu... Esteja deixando de ser um Demônio. - agora era ele quem a abraçava com força, sorrindo hediondamente enquanto ela continuava chorando... Todavia, desta vez, de felicidade.
Era o mais perto de um "eu também te amo" que ela arrancaria daquela boca infernal subitamente a beijando com ardor enquanto as estocadas e gemidos recomeçavam...