Elas me pararam com um sorriso no rosto e perguntaram se eu gostava de ler. Pelas vestes, só poderiam ser da igreja. Fui honesta e falei que gostava, mas não do tipo de leitura que elas provavelmente queriam me indicar.
A mais nova das duas pareceu sair do mundo por alguns instantes. Ela olhava para os meus braços tatuados com certa surpresa e uma pitada de curiosidade. A outra, mais velha e mais insistente, decidiu que eu deveria ficar com um folheto sobre algo que eu nem prestei muita atenção. O juízo final? As portas do céu? Ah, não importa. As duas pareciam determinadas a me fazer ceder aos delírios religiosos delas.
Começaram dizendo que eu era jovem e que jovens geralmente não sabem o real significado do poder de Deus, mas viram que a estratégia não estava indo bem. A mais velha então balbuciou sobre obedecer para ser feliz, como se eu não pudesse ser feliz do jeito que sou. Um tempo passou e ela decidiu falar sobre vida eterna justamente para alguém como eu. Perguntou se eu não queria ir para o Paraíso, se não queria viver eternamente. Eu falei que a eternidade poderia ser muito chata e duradoura e que estava bem do jeito que estava.
Uma delas, não prestei atenção a qual, riu e disse que ela queria uma vida eterna, que seria bom viver longe de toda a podridão desse mundo e eu, como uma pessoa educada que sou, disse que se fosse por falta de adeus ela já poderia partir.
Por fim, as beatas perceberam que eu não era alguém fácil de se alienar e foram embora sem olhar para trás.
“Vão com Deus! Amém! ”
Sabe, se o Paraíso fosse isso tudo (se é que existe) eu aposto que não existiria nenhum religioso “vivo”...