A porta de carvalho se abriu
Rangendo toda sua velhice
Demonstrando insatisfação
Há tanto tempo estava intocada
Que com a poeira ficou acostumada
O vento gélido lhe atravessou
Sem sequer pedir permissão
Adentrou o quarto como velho morador
E até se surpreendeu com o que encontrou
Seus versos tristes permaneciam ali
Repousando sobre a mesa desgastada
As lágrimas frias jaziam nas cadeiras
Uma alma vazia de pensamentos ceifados
Permanecia inerte no chão mofado
Tudo estava em seu lugar
Exatamente como havia abandonado
Era bom finalmente voltar ao lar
E aos seus escritos inacabados
O quarto número 14 está aberto novamente