Era meu trabalho colher o fruto das árvores, afinal, eu que não seria um espantalho enganoso. Fiz o que quiseram, e irei continuar a fazê-lo, pois me cobram o tempo inteiro. Não sou idiota para negar-lhes, contudo, bem que seria engraçada a queima de meu corpo, como os de muitos. É isso ou me pendurarem por pregos.
Fazer o quê, não é? Como escapar?
Quando abro o livro, parece que estou tendo acesso à laringe de meu avô. É fácil ser o objeto, só se precisa poder formular algo, infelizmente. Geralmente, há uma mente acomodada para cada palavra falsa e engenhosa.
Meu dia-a-dia é um exercício de arrogância generalizada, junto com a ignorância. As falácias ainda me atingem, e a hipocrisia também. Porém, nada é pior do que a falta de inteligência para ler as entrelinhas.
Por quanto tempo terei sofrer com isso?
É, vamos colhendo os frutos das árvores, um a um, durante nossa vida, só para no começo dela – ou no final -, recebermos uma tapa para podermos escolher o que fazer.
E, o pior acontece quando tento mostrar a maçã para alguém. Sempre haverá a pessoa que vai apontar a faca, tanto para a polpa – caso já tinha visto-, quanto para a casca. Como poderei viver em paz deste jeito?
Pergunto-me: o que me falta é um objeto para depositar meu fanatismo ou um foda-se bem grande?
É isso que tu te pergunta quando és esbofeteado.