Carlos era um palhaço!
Vivia fazendo números engraçados,
Em que falava dos passado
E imitava os pássaros.
Mas ele também era pedreiro,
Pois erguia mansões em terreiros.
E era, também, um grande padeiro,
Vide os cursos no estrangeiro.
Mas Carlos era azarado.
Comprou um carro zerado,
Mas o qual logo foi amassado
Por uma desavisado atrasado.
Era casado com Maria Josefina
Elegante nem na fala fina.
Batia nele com agulha de vacina,
Pois parecia com chacina.
Pouco adiantava trabalhar como um cão.
Mal sobrava para compra a farinha do pão,
Imagina, então, para concertar os estragos de um furacão,
Num mundo onde ignoram a comunhão.
Por isso, Carlos decidiu que era hora de mudar.
Vendeu tudo e se mudou para perto do mar.
Maria Josefina, ele abandonou perto de um bar.
E num curso de pescaria, ele foi estudar.
Seu olhos brilharam ao adentrar o barco.
Viu todas suas esperanças atingirem o arco.
A primeira viagem ao mar seria o marco
De uma nova vida longe do charco.
Nos primeiros quinze minutos de vento nas velas,
Carlos sentiu o casco ser furado por uma pedra.
A água entrou sem fazer novela,
E tudo voltou a ser uma fedida merda.
Suas habilidades eram inúteis.
Suas blasfêmias, fúteis.
Nem mesmo seu movimento versáteis,
Ajudavam lidar com tantas variáveis.
Hoje, ele mora isolado numa ilha.
Com o tempo, esqueceu das planilhas,
E acha o silencio uma maravilha.
Não vive mais naquela pilha!
Azarado é como ele não se vê,
Mas tampouco sortudo ele crê.
Acredita ter alcançado um novo ser,
Pelo seu jeito solitário de viver.