A briga durou meia hora. Durou muito para destruir uma vida toda juntos. Ela já não aguentava mais todo aquele sofrimento. Pegou suas malas e saiu de casa, não voltando nunca mais.
Ele não sabia o que fazer. Estava desesperado. Não sabia viver sem ela. Sabia que havia falhado como marido. Não deveria ter a feito sofrer do jeito que fez. Não deveria ter se entregado aos vícios como fez. Agora, estava completamente sozinho. Não havia ninguém que pudesse o ajudar naquele momento. A única pessoa que poderia estar ali, ao seu lado, foi embora para nunca mais voltar.
Isso o desesperava. O fazia pensar que a vida não tinha mais sentido. Por dias ficou encarando seus remédios antidepressivos. Estava com a ideia fixa na cabeça. Só esperava o tempo certo para cometer tal ato. Estava esperando, quem sabe, ela mudar de ideia e voltar para ele.
Mas os dias passaram. Ele, com todas as esperanças perdidas, pegou todas as três cartelas do remédio que ainda restava e, em um ato de desespero, tomou todas elas, entornando água logo em seguida, para ficar mais fácil engolir tudo aquilo.
Com o passar do tempo, sua vista foi ficando embaçada. Seus movimentos já ficavam mais lentos e desengonçados. Deitou-se na cama, esperando pelo pior. Horas depois, somente seu corpo estava ali, jogado sobre a cama, com a cara mais patética do mundo. O rosto triste, de quem chorou muito antes de partir.