Pervago
turbulando
incubada
neste breu
neste céu
cruel
rebrilhoso
que transfunda-se
no riacho cor de chá
cheirando como
madeira morta.
Eu mesma:
pele desbotada
amarrotada pelo sono
expectando
espiralando
revendo meus poemas
que são todos
sobre todos eles.
Mantenho
meus desejos em cativeiro
eles querem ser derramados
pois há muito choram
por nao valerem
um só segundo furado
insípido
atroz.
Pensamento
go
te
jan
te,
apostando
cor
ri
da
nas janelas infantis
das casas dos ratinhos
feitas de cogumelos de teto vermelho
com bolinhas laranjas
com minichaminezinhas
todos temos
uma vila de camundongos inteira
para passar o tempo
que fazemos questão de ter.
E,
pernas, minhas pernas
fisgando todos os anzóis
dedos, dedos meus,
inserindo os cacos nas feridas
nos torniquetes dando os nós.
Vida viva vida quase esmorecendo
doença, demência, distância
ela é o cipreste
no caminho esburacado
abafado
c o n g e l a d o
escuro
tropeçando, vou-me...
me encurralando
entre as abóboras putrefadas
que grudam-se às minhas meias
cor de rosa.
- O ferro que cutuca por debaixo da minha unha,
também de dor é capaz de urrar?