Eu era uma contadora de histórias. Escrevia no papel-alma das pessoas com o lápis da minha imaginação e muitas vezes apontava-o com meu coração. Sentia-me feliz quando minhas letras eram guardadas no cerne dos meus semelhantes. Gostava de contar sobre um belo amanhecer, de descrever a pessoa que amo, de inventar um romance qualquer.
Porém, deixei de ser uma contadora de histórias quando vi que a melhor obra literária que eu poderia criar seriam minhas memórias. Deixei de imaginar coisas e passei a fazê-las acontecer. Admirei o céu com mais atenção, beijei o dono do meu coração com mais sentimento e vivi meu próprio romance. Fiz do meu viver minha maior obra literária. Vivi intensamente cada página. E esse livro jamais terá um final, pois onde eu parei, aquele que de mim foi gerado continuará.