Cada um tem seu propósito, um lixeiro, por exemplo, tem o propósito de limpar as ruas, preservando assim as cidades e o mundo. Um médico tem como propósito cuidar de pessoas passando medicamento quando necessário e diagnosticando algo que não se considera normal à saúde, a ponto de que esse diagnóstico seja tratado em específico e o bem estar do paciente seja restaurado. Bombeiros têm o propósito de salvar, jovens de estudar e crianças de brincar. Mas e as celebridades? Os autores? Os músicos? Os artistas? Seria iludir? Distrair? Brincar com os sentimentos? Mentir sobre a realidade? São apenas protótipos da sociedade para atrair seguidores conforme seus modelos?
Uma vez, uma cantora em uma entrevista foi questionada com tal argumento:” Muitos de vocês são apenas peças, brinquedos da mídia para influenciar a vida de terceiros afim de aliená-los ao que parece ser uma falsa realidade. Será que um dia, vocês irão demonstrar quem realmente são? Já pensou como tudo ficará quando você não tiver mais importância à mídia? Quem será você? Afinal, quem é você? “
No mesmo dia, depois de um extenso show, pegou suas coisas, entrou num pequeno quarto, tirou as roupas uma por uma e depois de nua sentou-se sobre a cadeira de frente ao espelho e começou a se limpar.
Aos poucos que a maquiagem era retirada, a possibilidade de distinguir lágrimas ao suor era quase que impossíveis e o rosto que tão desejado se tornava frágil a ponto de se distorcer em porcelana e rachar a cada soluço forte que lhe era remetido a expressar.
Quando terminada, levantou-se e pôs se de frente a um refletor de luz que tinha lá, pegou uma caneta permanente que tinha lá, escrevendo sobre a parede branca: Essa sou eu. Um sonhador como todos os outros. Um batalhador como todos os outros. Um perdedor como todos os outros. Um ser humano como todos os outros.