Ela foi embora, me deixando aqui sozinha.
O relógio marca “madrugada’’, e eu aqui deitada, despida, olhando a cidade pela janela, recordando todo o prazer e encanto que a algum tempo atrás meu corpo e minha alma presenciaram dentre estas quatro paredes.
Como a pele dela é macia, minhas mãos deslizavam tão suavemente por seu corpo desnudo, seu corpo quente. Como era doce o seu perfume, me transcendo em sutilizas, seus cabelos negros como o piche, cheios de cachos grossos e bem modelados, corriam por minha face, esbarravam-se pelo meu corpo, fazendo as vezes um embaraço, de encontro aos meus rebeldes cachos mais voltados para o crespo.
Antes que pudéssemos nos perder em mares de amores profundos, dei a ela uma taça de vinho tinto branco, ela de prontidão aceitou, e mesmo fazendo cara feia ao se deparar com o amargor do liquido, o entornou em dois goles grandes. Eu ali de pé, seminua em sua frente, virava no gargalo uma boa dose de vinho, enquanto ela me olhava toda ouriçada, com as partes já molhadas, e com a pele em contrastes de arrepios.
A luz baixa e o som ambiente faziam nosso cenário sexual. Já no alto a lua de prata nos contemplava e nosso desejo e ardor seriam palco de um grandioso espetáculo. Vagarosamente sentei-me ao seu lado na cama, nunca desviando meus olhos dos dela, quanto mais me aproximava, mais vontade de possui-la em meus braços eu sentia. O jazz ao fundo, vibrava e nos dava uma sintonia exuberante, e então me deixei levar por aquele momento tão marcante que conjugou com todos os outros amores de minha vida.